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Rir e aprender andam lado a lado. Por isso separamos alguns stand-ups da Netflix, para você entender um pouco mais sobre negritude


Sorrir parece ser impossível nos tempos atuais. Seja devido a pandemia, ou a saúde mental afetada pela quarentena e as inúmeras notícias que saem a cada dia, além é claro, das injustiças que acometem o povo preto em todos os lugares do mundo.

O Brasil e os EUA principalmente, tem passado por um momento difícil, tanto em relação ao coronavírus, quanto em meio as questões raciais. Aqui, a morte de João Pedro e recentemente do menino Miguel, reacenderam a chama e fez um povo sair às ruas em busca de justiça.

Nos EUA o assassinato de George Floyd, o jovem negro morto por um policial branco também tomou conta das ruas. Omissos, ambos os governos foram os principais alvos dos protestos e a grande pergunta que fica é: porque não nos revoltamos como os americanos?

Dito isto, separamos alguns especias de stand-up comedy da Netflix, para você entender a negritude (americana em sua maior parte), e porque o clima lá é bem mais tenso do que aqui. Sei que é um momento difícil, mas estes especiais tem textos poderosos e vão te fazer dar algumas risadas.

 

D.L. Hughley | Contrarian

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Estiloso, o comediante e comentarista político D.L. Hughley vai até a Filadélfia e questiona quem votou em Trump e comprou ingresso para o seu show. Com comentários ácidos, Hughley zoa os brancos sem dinheiro, falando que eles estavam 400 anos na frente e que foi um “desperdício de branquitude”.

A violência policial, ensinar os filhos a se comportar na frente dos policiais e a relação tensa com sua mãe também fazem parte do show, que faz rir e pensar.

 

Dee Ray Davis | How to Act Black

Entender a negritude também é entender a relação dos negros com a arte. E você já deve ter visto o ator e comediante Dee Ray Davis em alguns filmes como ‘Todo Mundo em Pânico 4’ e ‘Anjos da Lei’. Aqui em “atuando como um negro”, gravado em Atlanta, Dee Ray fala das dificuldades em seus testes para filmes, onde pedem para que ele seja mais agressivo, e “fale como um negro”.

É claro que ele é bastante irônico e até polêmico em algumas falas, como em sua relação de amor com Chicago e o fato de defender que a maioria dos policias sejam “do gueto”, pois sabendo se comunicar com os moradores de lá, vão entender melhor suas realidades e evitar tragédias.

 

Chris Rock | Tamborine

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Um dos espetáculos mais famosos da lista, ‘Tamborine’ virou até viral nas redes sociais. Nele, Chris Rock solta o verbo sobre o armamento americano e seu sistemo injusto para os negros. A violência policial é um dos principais pontos de seu show, além de falar de karma, negritude, religião e relacionamentos.

Uma de suas falas mais fortes, é um discurso para suas filhas antes de saírem de casa, e sintetizam bastante a negritude, parafraseando: “Ninguém fora dessa casa liga para vocês. Ninguém fora dessas quatro paredes, liga para a opinião de vocês”.

 

Wanda Sykes | Not Normal

Alguém precisa avisar a Netflix que Tiffany Haddish não é a única comediante negra que existe. Apesar do carisma da humorista, queria ver mais trabalhos de Wanda Sykes na plataforma, além deste ‘Not Normal’. A atriz e dubladora já começa com o pé na porta, expulsando quem votou em Donald Trump, assunto que domina boa parte do seu show.

Wanda destrincha o racismo do sul dos EUA, explica o porquê de poucos negros estarem em realitys shows de sobrevivência e sobre o peso da idade para mulheres negras. Num dos momentos mais reflexivos ela diz que está cansada de ser a vilã e associada a coisas ruins: “Porque nós negros não podemos ser os mocinhos?

 

Dave Chapelle | Deep in The Heart of Texas

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Um dos meus comediantes favoritos, Dave Chapelle ganhará duas menções nesta lista. Seu primeiro especial da Netflix após 10 anos afastado dos palcos tem dois episódios, e um deles se passa num dos estados mais racistas do Estados Undos, o Texas. Chapelle fala sobre o caso em que fez um show em Santa Fé e alguém da plateia jogou uma casca de banana nele.

Faz referência a Malcolm X, conta outros casos de racismo em Ohio, associa o vírus do ebola a Aids, como doenças que parecem que foram criados por velhos brancos para destruir a negritude, e fala sobre algo que está muito na moda recentemente: exposed. Chapelle faz piada com tudo e diz que nem sempre é momento de militar. #descansa

 

Michael Che | Matters

Black Lives Matter! Vidas Negras Importam! É isso que Michael Che, estrela do SNL questiona em seu especial de stand-up. Um dos trechos do seu show foi outro que ficou bastante conhecido no Twitter ao indagar o significado da palavra ‘importa’. Ao falar que vidas negras importam, estamos dizendo que elas importam, não que elas importam mais que outras.

Genialmente, ele faz um paralelo a uma conversa entre uma esposa e seu marido, além de se perguntar o fato dos negros sempre precisarem se recuperar de algo. Michael Che também escancara problemas de gentrificação, críticas a segunda emenda e parece incrédulo frente a luta por direitos civis da negritude. “Porque temos que lutar por algo que já é nosso direito? Só queremos ser civis”, diz ele

 

W. Kamau Bell | Private School Negro

O apresentador W. Kamau Bell talvez seja o mais “suave” desta lista, mas é incisivo em todos os temas que trata. Assim como o tema de seu especial, estamos diante de uma escola, onde com extrema paciência o comediante de 45 anos, ensina sobre paternidade negra, colorismo e relações inter-raciais (já que é casado com uma mulher branca).

Kamau fala sobre a importância da representatividade e negritude na TV para as suas filhas, debocha da extrema direita americana, e além de Trump, faz duras críticas aos deputados e senadores. Chama o atual presidente de racista (com razão) e fala que é doloroso explicar fascismo para as filhas em 2018.

 

Dave Chapelle | The Age of Spin

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Eu avisei que Chapelle retornaria a lista, desta vez com o outro especial de seu retorno triunfal a comédia, o ‘The Age of Spin‘, gravado em Los Angeles. Aqui o comediante é muito mais polêmico ao comentar o fracasso dos brancos que se deixam ser pegos pela polícia, um sistema feito para ferrar as pessoas pretas.

Chapelle também faz um resumo bem humorado da história negra nos EUA, cita os casos de Bill Cosby e o não tão recente caso de O.J. Simpson, além da sua falta de compreensão do mundo LGBTQ+.

 

Kevin Hart | Guide to Black History

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O mais leve dos especiais citados, este programa não chega a ser um stand-up, mas ganha um lugar na lista por sua importância. Feito exclusivamente para crianças, ‘Guide to Black History’ traz personalidades negras da música, cinema, artes, esportes, ciência e muitos outros nomes importantes para a negritude e para a história americana.

Aqui, Kevin Hart ensina a filha Riley (interpretada por Saniyya Sidney), a trajetória de muitas figuras importantes para a cultura negra, em diversas áreas. Com espaço para algumas piadas e a participação de Lil Rel Howery (o agente da TSA e amigo de Chris em ‘Corra!’), o especial tem o carisma de Hart envolto em esquetes com humoristas pretos. Vale a pena pelo aprendizado.

 

Def Comedy Jam 25

Exibido pela HBO entre 1992 e 1997, o ‘Def Comedy Jam’ foi um programa de stand-ups importantíssimo, que ajudou a carreira de inúmeros comediantes pretos e lançou nomes que seriam eternos como Chris Rock e Martin Lawrence. Era comédia feita por negros, para negros.

‘Def Comedy Jam 25’ é uma celebração da negritude disponível na Netflix. Vários criadores e grandes nomes da comédia negra estadunidense, se encontram para celebrar os 25 anos do lançamento do programa, seu legado, sua quantidade absurda de “fucks” e homenagear aqueles que se foram.

 

Menção Honrosa e Dicas a Netflix

A Netflix precisa abrir os olhos ou pelo menos enxergar os vários comediantes negros que o Brasil possui, e parar de fazer stand-ups apenas com ex-integrantes do CQC. Nomes como Robson Nunes, Micheli Machado, Hélio de la Peña, Gui Preto, Kedny Silva e Yuri Marçal mereciam um especial só deles na plataforma.

Inclusive os 4 últimos iniciaram um projeto bacana ano passado, o Stand Up Comedy Black Brazil “Coisa de Preto”, inspirados fortemente no Def Comedy Jam. Destes citados meu favorito é Yuri Marçal, e você pode acompanha-lo no Instagram e ver os seus vídeos hilários e quase diários sobre negritude e branquitude.

 

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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