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“Nós” estreia nesta semana e o diretor Jordan Peele pediu para que o elenco assistisse 10 filmes antes das gravações. Vem saber quais são:


“Nós”, novo filme do diretor, roteirista e produtor Jordan Peele é um dos filmes mais esperados de 2019. Vencedor do Oscar de melhor roteiro original em 2018 por Corra!, o novo filme de Peele soma 100% no agregador de críticas Rotten Tomatoes com 55 reviews contabilizadas até o momento. O filme teve sua estreia mundial no South by Southwest no Texas e foi ovacionado como uma obra prima do terror.

Na hora de preparar a equipe para todas as loucuras e bizarrices que saem de sua mente, Jordan Peele pediu que o elenco – e mais precisamente Lupita Nyong’o (sua protagonista em “Nós”) – assistissem a estes 10 filmes. Listamos eles neste post junto com uma pequena opinião sobre cada um, e já podemos garantir que, se Peele pegou referências de todos, podemos esperar mais um excelente filme do diretor. Sem mais delongas, vamos a lista:

 

– Voltar a Morrer (1991)

Atuações incríveis, uma trilha sonora maravilhosa e uma direção impecável de Kenneth Branagh. Essa descrição parece demais com o que estão falando de “Nós”, trocando Branagh por Jordan Peele. Uma trama cercada de mistérios, reviravoltas e vidas passadas dão o tom de “Voltar a Morrer”, filme que também tem uma tesoura importante em sua narrativa, lembrando um certo pôster…

– O Iluminado (1980)

O clássico de Stanley Kubrick é assustador e uma obra distinta do livro de Stephen King. Mesmo assim “O Iluminado” trabalha questões de isolamento e pressão como ninguém. Jack Nicholson sintetiza um homem perturbado e ameaçador, tendo como pano de fundo o Hotel Overlook onde nada é o que parece ser.

– The Babadook (2014)

O terror de Jennifer Kent (que tem mais um filme saindo este ano) flerta com filmes de monstro, fantasmas e ao mesmo tempo é extremamente metafórico, falando sobre perda, luto e solidão. Seriam nossas dores e a depressão nossos verdadeiros monstros? A dúvida persiste até os minutos finais.

– Corrente do Mal (2014)

Mais uma obra que trabalha com metáforas, o filme de David Robert Mitchell traz questões de cunho sexual para sua produção com a ideia de construir um sentimento de tensão e perseguição a sua protagonista vivida por  Maika Monroe. Além disso, dilemas sobre amizade e uma identidade própria (não sendo perceptível a época em que o filme se passa) marcam o terror.

– A Tale of Two Sisters (Medo, 2003) [versão sul-coreana]

Ganhando o título de “Medo” aqui no Brasil, “O Mistério das Duas Irmãs” foi outro filme que teve uma refilmagem hollywoodiana (inclusive melhor que a original segundo a opinião deste que vos fala). O filme de Kim Jee-woon não foge daquela safra asiática do terror difundida em O Chamado e O Grito (Ringu e Jun-O no original). Brincando com o psicológico e a sanidade dos personagens desde o início, temos um dos melhores plot-twists já apresentados no gênero.

 

– Os Pássaros (1963)

Peele tem sido comparado com “o novo” Alfred Hitchock, então nada melhor do que colocar um filme do gênio do suspense nesta lista. “Os Pássaros” retrata a invasão do desconhecido como ninguém, ao mesmo tempo em que busca a compreensão de tudo o que acontece. O sentimento de paranoia causado pelo confinamento na pequena cidade torna este suspense um dos mais apavorantes da carreira do cineasta.

 

– Violência Gratuita (1997) [versão austríaca]

Michael Haneke praticamente inaugura o home invasion trazendo uma autenticidade ao seu Funny Games (título original). Inclusive o filme fez tanto sucesso que ganhou um remake americano, com o mesmo diretor e os mesmos takes. Esse pensamento crítico está presente no filme do estudante de filosofia e psicologia, bem antes de ser cineasta. Haneke escancara o desejo humano para a violência, ocultando as cenas mais fortes, deixando tudo no imaginário. O terror mostra que não temos controle de nada, inclusive do nosso tempo, e as constantes quebras da 4ª parede mostram que se a violência não vem de uma forma, ela virá de outra.

 

– Martyrs (2008) [versão francesa]

Um dos maiores expoentes do New French Extremity (que tem podcast aqui no site), Martyrs é sempre lembrado em listas por seu teor sanguinário e perturbador. O filme de Pascal Laugier sintetiza o que há de mais podre no ser humano. suas ambições pelo “outro lado” e por coisas além de sua compreensão.

 

– Deixe Ela Entrar (2008) [versão sueca]

Um clássico filme de vampiros, é assim que o filme de Tomas Alfredson deve ser encarado. Mantendo o mistério ao mesmo tempo em que revela tudo aos poucos, a relação de uma garota vampira com um menino que sofre bullying torna “Deixe Ela Entrar” um conto dramático sobre aceitação e inocência. O filme ganhou um remake americano estrelado por Chloe Grace Moretz, que infelizmente não mantém a mesma essência, mas o original merece ser revisitado sempre.

 

– O Sexto Sentido (1999)

O filme de estreia de M. Night Shyamalan (outro que muito cedo foi comparado a um diretor famoso), lida com a aceitação da perda – desta vez do lado dos mortos. Muito se temeu que Peele se tornasse um novo Shyamalan e se perdesse no caminho, o que parece não acontecer, pelo menos no seu novo trabalho. Comparações à parte, é inegável a obra densa e dramática criada por M. Night, que assim como Peele brinca com os gêneros em sua primeira produção.

 


– Bônus: The Twilight Zone S01E21 – Mirror Image

Coincidentemente ou não, Jordan Peele será o novo showrunner e narrador da nova versão de The Twilight Zone (Além da Imaginação) que estreia em abril. A inspiração vem deste episódio da primeira temporada da série, onde a jovem Milicent Barnes vê uma nova versão de si mesma e questiona sua própria sanidade. Duplicatas, universos paralelos e cópias malignas são abordados em pouco mais de 24 minutos em apenas um cenário, tornando Mirror Image um dos melhores episódios de The Twilight Zone.


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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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