AODISSEIA
Especial

10 Filmes Estrangeiros Escondidos na Netflix – Parte 2

Mais algumas pérolas que merecem sua atenção...


14 de janeiro de 2020 - 01:19 - Flávio Pizzol

Inspirados por Bong Joon-ho, nós investigamos o catálogo da Netflix e separamos algumas opções de filmes estrangeiros para quem quer quebrar a barreira da legenda.


Como nós havíamos dito há alguns meses, o número de filmes estrangeiros da Netflix – incluindo apostas originais e produções pouco conhecidas que foram compradas para o streaming – é muito maior do que eu esperava. Então, inspirado pelo discurso de Bong Joon-ho no Globo de Ouro, decidi continuar minha maratona e reunir mais algumas pérolas que costumam passar despercebidas no meio do gigantesco catálogo do serviço de streaming, realizando uma justíssima continuação da lista que você pode conferir aqui.

Só vale lembrar três coisas: a lista não está ordenada entre melhores ou piores; minhas anotações ainda possuem alguns filmes pendentes que podem resultar em uma nova continuação; e os longas que não são originais podem sair do catálogo sem aviso prévio. Afinal, quebrar as barreiras da legenda é decisivo!

Dito isso, vamos parar com a enrolação e falar rapidamente sobre os dez escolhidos da vez:

  • 7 Años (Espanha, 2016) – Original Netflix

filmes estrangeiros

Um filme interessante, ágil e cheio de discussões teatralizadas que, apesar de ser um dos primeiros originais espanhóis da Netflix,  passou totalmente despercebido pelo catálogo. Eu mesmo tinha esquecido que já o tinha visto até esbarrar nele numa aba de títulos semelhantes. E a verdade é que o longa não merece esse status, já que elenco manda muito bem, a direção abusa dos planos longos para deixar o show rodando e o texto certeiro segura a história com uma pegada de 12 Homens e uma Sentença. Não sei se acho o final covarde ou amargo na medida certa, mas garanto ele entre um desses filmes estrangeiros que merece ser visto.

  • Grave (França/Bélgica/Itália, 2016)

filmes estrangeiros

Mais conhecido, até mesmo no catálogo da Netflix, como Raw, esse filme francês não deve ser visto por qualquer um. Pelo menos, não sem uma preparação mental prévia, considerando que ele é um dos poucos títulos que já me fez chegar realmente perto de vomitar. Afinal, estamos falando de um terror muito sangrento preenchido por composições visuais espetaculares, ótimas atuações, uma a trilha sonora ajuda – e muito – na construção impecável da tensão e algumas metáforas que talvez não façam tanto sentido. É uma produção indigesta que deve ser mais sentida do que compreendida, mas que, acima de tudo, não deve passar despercebida.

  • Um Contratempo (Espanha, 2016)

Um suspense intenso e tão cheio de peças e reviravoltas que chega a ficar repetitivo em certo momento. O detalhe – e eles são muito importantes aqui – é que mesmo essa repetição causada pela mudança dos pontos de vista tem um motivo e guia o espectador para uma reviravolta fodidamente maravilhosa. E, mais importante ainda, uma daquelas viradas que surpreende, mexe com o espectador e joga na cara o fato de que todas as pistas estiveram ali o tempo todo. Um nome imperdível dessa lista de filmes estrangeiros!

  • A Onda (Noruega, 2015)

Apesar do nome idêntico ao clássico alemão que bateu ponto na Netflix por um tempo, esse longa norueguês não tem nada a ver com nazismo, ideologias e afins. Até fala sobre um desastre, mas aqui tudo gira em torno de uma corrida contra o tempo com o objetivo de impedir que um tsunami destrua completamente uma cidade norueguesa. Não posso negar que, apesar da boa premissa, o longa sofre na construção da tensão e perde tempo demais com personagens mal construídos, porém o impacto visual (dentro dos limites orçamentais da produção, é claro) e o jeitinho meio blockbuster fazem a visita valer a pena numa tarde de folga.

  • Seu Filho (Espanha/França, 2018) – Original Netflix

Participante dessa lista que mais me incomodou, Seu Filho só entrou aqui pra ser reconhecido e gerar as discussões necessárias sobre o seu final extremamente questionável. E eu digo isso porque o mistério que conduz a trama é instigante, a tensão é bem construída e a direção possui alguns momentos sem cortes que podem ser marcantes (como as sequências do banheiro e do carro), mas o final tem um problema narrativo que, pra mim, beira o imperdoável graças a uma reviravolta que não faz nenhum sentido dentro da construção do protagonista. Não é necessariamente bom, mas pode funcionar e ser mais marcante para os outros…

  • A Escalada (França, 2017) – Original Netflix

Uma daquelas histórias absurdas e intensas que certamente merece filme, A Escalada é uma mistura interessante de comédia, romance, aventura e drama de sobrevivência que, mesmo escorregando, consegue surpreender e emocionar. O protagonista sofre um bocado para superar tanto a neve do Everest, quanto seu desenvolvimento mal dividido entre o carisma e a arrogância, porém o terceiro ato recupera a essência, usando sua mistura de superação e amor como algo que praticamente obriga o público a torcer por um final feliz. E, no final das contas, acaba sendo a opção leve, bonitinha e divertida que muita gente procura num sábado à noite.

  • Sequestrando Stella (Alemanha, 2019) – Original Netflix

Um filme de sequestro típico e cheio de clichês que, mesmo assim, convence pelo ritmo muito bem estabelecido desde os minutos que antecedem o surgimento do título. Não vou negar que é fácil adivinhar algumas das reviravoltas, mas as boas atuações, a montagem certeira e uma direção que sabe se virar com um número reduzido de personagens e cenários balanceiam o jogo com um número considerável de picos de tensão. Ou seja: mesmo sendo óbvio, mexe com os nervos do espectador com força suficiente pra valer a sessão.

  • Alerta Lobo (França, 2019) – Original Netflix

Um roteiro inteligente que surpreende por não escolher saídas fáceis, colocando sempre a história como prioridade. Uma direção que acompanha isso com boas doses de realismo, claustrofobia e tensão para entregar um dos filmes mais angustiantes do ano. Uma trilha sonora (e, principalmente, uma ambientação acústica) que deixa qualquer um na ponta da poltrona. E, por fim, personagens que conquistam o espectador com sua hombridade, responsabilidade e força de vontade. Um combo que definitivamente não merece ficar escondido no fundo do catálogo de filmes estrangeiros da Netflix.

  • Assunto de Família (Japão, 2018)

Um filme sobre “família” que reúne de maneira muito interessante doses de drama, pitadas de comédia situacional e uma espécie de estudo documental sobre os japoneses. Uma bagunça muito bem amarrada por reviravoltas sutis, personagens desenvolvidos no tempo exato, arcos individuais marcantes e sequências cheias de sensibilidade (como a da praia, por exemplo). Tudo minuciosamente preparado para entregar um final trágico e doloroso que tem potencial pra deixar o coração de qualquer um apertado.

  • Perdi Meu Corpo (França, 2019)

Essa animação francesa coleciona acertos quando os assuntos são narrativa, ritmo, organização de tramas paralelas, personagens complexos, metáforas (que geram emoções antes de significar algo) ou composição sonora. Tudo embrulhado por um pacote que não só prende a atenção do espectador de forma quase instantânea, como a mantém com toques bem-vindos de surrealismo e suspense. Perde um pouquinho dessa força no final, mas é um candidato ao Oscar que certamente merece um lugar na nossa lista de filmes estrangeiros.