007- Sem Tempo Para Morrer: Crítica | Entre homenagens e despedidas

007

Emocionante – último filme da era Craig – “007: Sem Tempo Para Morrer” une o novo ao clássico em trama densa e igualmente empolgante


Quando Daniel Craig assumiu o posto de novo 007 lá em 2006, a rejeição inicial ao seu nome foi quase unânime. Acusado de ser muito baixo para o papel, loiro (já que o personagem é moreno), e até de feio, o ator conseguiu driblar a desconfiança com bons filmes (Cassino Royale/Skyfall), e filmes ruins mas com uma entrega física excepcional (Quantum of Solace).

Em 2015 protagonizou Spectre já com uma aparente má vontade, e unindo isso a declarações recentes, já estava óbvio que Craig queria deixar o papel que o consagrou por 15 anos. Por isso, 007 – Sem Tempo Para Morrer marca a despedida emocionante do arco do Bond de Craig, mais humano, vulnerável, e merecedor de encerrar sua história no 25º filme da franquia.

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Foto: Divulgação Universal Pictures

Qual o enredo de 007 – Sem Tempo Para Morrer?

Em 007 – Sem Tempo Para Morrer, Bond deixou o serviço ativo na MI6, e está desfrutando de uma vida tranquila na Jamaica. Sua paz não dura muito quando seu velho amigo Felix Leiter (Jeffrey Wright), da CIA, aparece pedindo ajuda.

A missão de resgatar um cientista sequestrado acaba sendo muito mais traiçoeira do que o esperado, levando Bond à trilha de um vilão misterioso armado com nova tecnologia perigosa.

O que achamos do filme?

Na despedida de Craig, o diretor Cary Joji Fukunaga (True Detective), resolve ir pelo caminho da emoção. Não que 007 – Sem Tempo Para Morrer não tenha cenas de ação e planos sequência de tirar o fôlego, mas é inegável dizer que estamos diante de um filme mais tranquilo e romântico de 007. O gran finale que Craig merecia.

Sendo assim, Fukunaga aborda o tom de despedida desde o início, unindo a trama mirabolante em escala mundial de seu novo filme, com a humanidade que o Bond de Craig sempre deixou explícita. É revigorante notar o quanto a produção abraça o ridículo sem medo, a medida que não abandona tudo aquilo que foi feito por Martin Campbell e Sam Mendes.

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Foto: Divulgação Universal Pictures

007 – Sem Tempo Para Morrer faz homenagens precisas não apenas a era de Craig, como também a franquia, principalmente os filmes de Sir Roger Moore, que em sua maioria não se levaram a sério. Um romance é construído com todas as suas facetas, beirando o dramalhão, o piegas, talvez até o brega, mas que consegue arrancar momentos apoteóticos pela jornada.

O roteiro bem construído de Fukinaga, Neal Purvis, Robert Wade, e Phoebe Waller-Bridge, une a tensão a uma irreverente leveza e bom humor. Aliás, é fácil identificar os diálogos que com certeza foram escritos por Phoebe, devido ao tom sarcástico, contido principalmente na agente Nomi (Lashana Lynch), em uma introdução digna, apesar dos coadjuvantes não terem tanto tempo de tela assim.

Esse é caso da personagem Paloma, vivida por Ana de Armas, um poço de carisma e inocência, mas que aparece menos do que se pensava. Isso pode ser dito também do excêntrico bom vilão de Rami Malek (Lyutsifer Safin), um personagem bizarro já apresentado na abertura, e com cara de um vilão clássico de 007. o “Q” de Ben Whishaw também dá as caras com mais frequência, muito por conta do aumento e da utilidade dos clássicos gadgets, bem mais usados aqui.

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Foto: Divulgação Universal Pictures

A abertura entretanto, é um dos melhores momentos de Sem Tempo Para Morrer e dita o tom dramático, e o caminho repleto de cenas a contra luz que a obra resolve seguir. Craig está velho (ele mesmo afirma isso), e é possível perceber o olhar cansado de Bond. A entrega física do ator ainda existe claro, mas em menor escala, sendo substituída pela mente.

Por muitas vezes, ao invés do embate, nosso 007 resolve ir por caminhos mais inteligentes. Esse mesmo olhar vem carregado de amor, luto, e uma sensação de impotência, o que faz de Sem Tempo Para Morrer um romance a moda antiga, onde se preza pela unidade, e não se sabe mais quem é Craig, e nem que é Bond. James Bond.


Ps: A música de Billie Eilish (No Time To Die) arrepia muito mais quando inserida no filme.


007 – Sem Tempo Para Morrer está em cartaz nos cinemas brasileiros

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