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Séries: The Sinner

Nada é o que parece!

4 de dezembro de 2017 - 10:16 - Tiago Soares

Pra mim, The Sinner foi uma daquelas séries que alguns colegas te indicam e você quer ver para ficar inteirado na conversa. Mas não apenas da curiosidade vive a série de Derek Simonds (nome relativamente novo na TV). Baseada no livro de Petra Hammesfahr, a nova série do canal USA, distribuída internacionalmente pela Netflix – The Sinner conta a história de Cora Tanetti, uma mulher jovem, casada e mãe de um garotinho. Vivendo uma vida aparentemente normal e pacata – de repente e do nada – ela assassina um desconhecido a facadas em uma praia lotada.

O choque é imediato, tanto do marido Mason (Christopher Abbott), do filho e das pessoas ao redor. Cabe a polícia e principalmente o detetive Harry Ambrose, saberem o que aconteceu de fato. Assim a série foge do clichê máximo das séries de investigação (vulgo Scooby-doo) e sai do quem para o porquê, mostrando flashbacks de Cora e das pessoas ao seu redor, mas não de forma linear ou didática.

The Sinner aposta no mistério em quebra-cabeça. Na sobreposição de informações e imagens que percorrem os episódios, afim de fazer o espectador se perguntar o que está acontecendo. No início isso é muito bonito e relevante, pois afeta a própria estética da série que tem uma bela fotografia (a protagonista nadando no vasto nada, é lindo e metafórico ao mesmo tempo).

As atuações também são acima da média e trazer Jessica Biel como protagonista, que fez filmes horríveis (com exceção do remake de O Massacre da Serra Elétrica que mora no meu coração), denota coragem. Mesmo assim ela se destaca ao trazer uma mulher aparentemente normal, mas que no fundo esconde um trauma e mostra que com um competente roteiro e direção, consegue ir além. Direção essa que me agradou em alguns episódios, principalmente naqueles dirigidos por Tucker Gates (figura presente em Bates Motel).

Bill Pullman é outro que apesar de vir de papéis idênticos ao presidente dos EUA em Independence Day, consegue trazer nuances a um personagem atormentado e que apesar de casado e ter uma família normal, é viciado na garçonete que o faz ter longas sessões de sadomasoquismo. Sem duvida é o mais interessante da trama, mas é o que mais sofre com falta de background. Suas cenas são jogadas, sem nunca revelaram o porquê.

O título The Sinner (o pecador ou pecadora em tradução livre) vem a calhar, já que nenhum personagem na série parece “normal” de fato. Todos sofreram algo ou têm um passado sujo e talvez o sadomasoquismo do detetive Ambrose, denote o fato dele precisar ser punido. Dito isso, é uma pena que no decorrer dos episódios a série abandone tanto estética, como profundidade em seus personagens, os tornando bons por dentro e tendo um final menos interessante do que o todo.

The Sinner chama atenção por não ser uma série fácil. Ela é ruim de digerir, forte, seja visualmente como psicologicamente. Cora sem dúvida é uma personagem que tem a mente fraca. Passou a vida toda sendo influenciada, seja pela mãe, pela relação doentia com a irmã Phoebe (Nadia Alexander que tem cenas bem fortes na produção), pelo marido ou até pela sogra.

Tudo isso é fruto de um passado repletos de traumas e ensinamentos duvidosos. É impossível prever o que vai acontecer porque nem mesmo nossa protagonista sabe o que ocorreu. A vantagem de The Sinner está em não abrir margem para teorias e no momento em que os episódios finais entregam tudo de mão beijada, com um fim com cheiro de redenção, The Sinner falha naquilo em que a tornou diferente e vira uma série comum, esquecível e sem necessidade de uma segunda temporada.