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Séries

Séries: The Last Man on Earth (2ª Temporada)

19 de Maio de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Um pós-apocalipse vivido entre choros e risadas


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Logo que The Last Man on Earth estreou, eu vim correndo falar sobre a genialidade de um primeiro episódio que conseguia se sustentar com apenas um personagem surtado que conversava com bolas furadas. A temporada foi passando, o grupo aumentou e qualidade caiu de forma vertiginosa até que a segunda temporada chegasse para recuperar o fôlego. Alguns erros continuam, mas The Last Man on Earth mostra que a sua dramédia tem potencial para durar muito tempo.

[Vou falar do apocalipse, então o texto tem alguns spoilers…]

O segundo ano começou basicamente onde a primeira temporada parou com o protagonista tentando ser aceito por um grupo que ele mesmo reuniu após passar um tempo sozinho, enquanto conhecemos um pouco mais sobre seu irmão, que está preso em uma nave espacial. Essa é a tônica de boa parte de uma primeira metade que não sabe usar todos os personagens da maneira como deveria e insiste em erros anteriores, como a insistência em vilanizar o protagonista.

Ninguém tem dúvida que Phil (ou Tandy) é alguém problemático que erra por querer toda a atenção para si, mas isso não quer dizer que ele precisa ser transformado em um vilão em todo santo episódio. Inclusive, boa parte dessa temporada deixa claro que ele funciona bem mais quando está inserido no grupo e acerta ao fazer o personagem evoluir de forma muito saudável para o programa.

A série, que foi criada por Will Forte, também ganha muitos pontos quando aceita o fato de que sua premissa já é suficientemente diferente e mergulha de cabeça em episódios que fogem do padrão. Essa temporada conseguiu encontrar um tom de sitcom perfeito, mas é inegável que tudo fica melhor quando The Last Man on Earth faz episódios corajosos, como um retorno do hiatus completamente focado em um personagem novo e desconhecido até então.

A mesma coisa pode ser dita da mistura bem equilibrada entre comédia e drama, já que esses foi um dos pontos altos da série desde o seu começo. O programa sabe fazer comédia muito bem, misturando momentos puramente escatológicos e sexuais com algumas sacadas realmente inteligentes, mas não pode esquecer em nenhum momento que seu ponto de partida é o fim do mundo. Aquele é um grupo de pessoas que, querendo ou não, precisam conviver com a solidão, com a tristeza e com o luto para deixar tudo mais real e palpável.

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É certeza que deixa o texto mais refinado e cria os episódios mais memoráveis da temporada, incluindo uma montagem brilhante sobre morte e renascimento no final da primeira metade. O arco dos últimos episódios também merece muitos aplausos, já que entrega dois episódios perfeitos, engraçados e até um pouco depressivos sobre família, escolhas e morte. Vários acertos que passam por cima dos erros mais comuns e fazem a temporada passar muito mais rápido.

A única coisa de The Last Man on Earth que funciona em qualquer momento de qualquer episódio é a química perfeita do seu elenco, que só melhorou com a chegada de Jason Sudeikis. Mesmo com o desenvolvimento raso de alguns personagens e o abandono repentino de alguns arcos, o grupo formado por Will Forte, Kristen Schaal, January Jones, Mel Rodriguez, Cleopatra Coleman e Mary Steenburgen é talentoso o suficiente para funcionar como grupo e ainda brilhar em alguns momentos solo. Nesse caso, o destaque fica todo com o humor brilhantemente físico de Forte, as piadas totalmente inusitadas de Schaal e a ingenuidade de Rodriguez.

O resultado foi uma segunda temporada que manteve um nível de qualidade muito bom em praticamente todos os episódios, trabalhou o equilíbrio entre comédia e drama e ainda surpreendeu o público com momentos corajosos. A insistência em alguns erros básicos e um final que não me agradou como eu esperava acabam impedindo que The Last Man on Earth ganhe uma nota maior. Ainda assim, a segunda temporada mostra todo o potencial de uma premissa incomum e se mostra infinitamente superior ao primeiro ano.


 

OBS 1: O desafio dessa temporada é não rir do corte de cabelo bizarro do Phil e das milhares de maneiras que Will Forte usa isso para fazer piadas geniais.


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