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Séries

Séries: The Goldbergs (4ª Temporada)

Os loucos, rebeldes e divertidos anos 80

25 de maio de 2017 - 14:30 - Flávio Pizzol


É provável que a década de 80 tenha sido a época mais marcante da cultura pop, graças aos penteados bizarros, estilos sem nenhum sentido, lançamentos de filmes e séries de TV icônicas e tantas outras coisas que eu “nunca vi nem comi, só ouço falar”. Finalizando sua quarta temporada entre as séries mais assistidas da ABC, The Goldbergs se apropria da visão de um jovem nerd e sua família completamente louca para tirar sarro de uma época que merece ser revivida ou descoberta pelos mais novos.

 

Sendo mais específico, a série funciona como uma típica sitcom: acompanha as aventuras, dilemas e decisões de uma família suburbana – teoricamente normal – da Pensilvânia. A principal diferença aqui é que a narração autobiográfica da história fica por conta de Adam F. Goldberg (roteirista de Fanboys e criador do show), um adolescente nerd que usa sua câmera para gravar tudo que acontece com seus pais, irmãos e avô.

 

Esse é o ponto de partida para explorar um pai pouco sentimental, uma mãe que ultrapassa todos os limites pra proteger seus filhos, um monte de brigas entre irmãos e vários conflitos que sempre resultam em abraços, beijos e pedidos de desculpas. É uma narrativa cíclica que, em todos os episódios, reaproveita uma estrutura muito comum em roteiros: contextualiza o período retratado na narração de Patton Oswalt (Agents of S.H.I.E.L.D.), divide os plots entre os familiares, cria os conflitos e caminha para uma resolução de final feliz sob o lema de que “a família está acima de tudo”. O problema é que essa repetição já começou a ficar desgastada e um pouco cansativa depois de quase 100 episódios.

 

A sorte é que The Goldbergs consegue se sustentar muito bem no humor, na reutilização da década e na vivência completamente nerd/cinéfila de seu protagonista. Essa última, inclusive, movimenta o programa com vários episódios temáticos envolvendo Star Wars, De Volta para o Futuro, Loucademia de Polícia, Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco, Super Máquina, Sociedade dos Poetas Mortos, Karatê Kid e por aí vai. Quando a temática não gira em torno de algum filme ou série, o cerne do episódio sempre se apoia em algum aspecto cultural da época como a popularização da secretária eletrônica ou do Video Dating (descubra o que é nesse vídeo).

 

 

As piadas internas também dão um toque a mais no contexto da comédia. A medalha de ouro dessa temporada vai para todas as zoeiras envolvendo a similaridade dos nomes do protagonista e do ator Adam Goldberg (Fargo), depois que o último não gostou de ser confundido com o criador da série e reclamou no Twitter. A briga aumentou de tal forma que os roteiristas da série colocaram um personagem homônimo na escola e insistiram em uma série de piadas sobre a identidade de Adam F. Goldberg (que só se encerra em um hilário duelo de karatê).

 

Outra sacada genial de The Goldbergs está nas referências aos personagens reais em vídeos caseiros exibidos no final (mostrando a similaridade da série com a vida do criador) ou participações especiais dessas próprias pessoas. É comum que um amigo de infância do criador realmente atue na série, fazendo na maioria das vezes o papel do seu próprio pai. Exemplo: Jackie Geary, o verdadeiro par de Adam durante o baile, apareceu como sua própria mãe, enquanto o seu papel ficava com a jovem Rowan Blanchard (Pequenos Espiões 4). Se você não entender isso durante o episódio, a série faz questão de esclarecer tudo no final.

 

 

Além disso, os personagens – e seus respectivos interpretes – esbanjam carisma. Wendi McLendon-Covey (Missão Madrinha de Casamento) e Jeff Garlin (Toy Story 3) funcionam perfeitamente como pais que agem de formas opostas. Ela é expansiva e surtada; ele prefere ficar sentado no sofá, enquanto chama seus filhos de idiota. Mesmo assim, ambos se completam e amam os três incondicionalmente, sendo que um dos melhores momentos da temporada fica com Murray Goldberg expressando um pouquinho das suas emoções.

 

As “crianças” também são perfeitas. Sean Giambrone (Clarêncio, O Otimista) faz com que seu Adam percorra muito bem todas as emoções de um adolescente, passando tanto pela emoção dos primeiros namoros quanto da estréia de uma continuação tão esperada. Troy Gentile (Tenacious D – Uma Dupla Infernal) faz um Barry amoroso e idiota que conquista qualquer pessoa. E, por fim, Hayley Orrantia (participante do The X Factor em 2011) se encaixa no jeitinho rebelde de Erica, mesmo sendo única protagonista fictícia do programa.

 

 

E isso sem contar as participações – um pouco menores, mas importantes – de AJ Michalka (Super 8), Bryan Callen (Guerreiro), Stephen Tobolowsky (Silicon Valley), Tim Meadows (Meninas Malvadas), David Koechner (Tudo Por um Furo), Dan Fogler (Animais Fantásticos e Onde Habitam) e George Segal (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?). Todos se destacam em algum momento, mas as risadas são ainda mais garantidas com o irmão interpretado por Fogler, o avô feito por Segal, o orientador pirado criado por Meadows e o professor de educação física de Callen. Inclusive, esse último está muito perto de receber seu próprio spin-off.

 

No final das contas, o programa é simplesmente imperdível para nerds, apaixonados pela época e amantes de boas sitcons. Se você ainda estiver com alguma dúvida, vou resumir The Goldbergs em uma equação: (recriação nostálgica e divertida dos anos 80 + referências a cultura pop + personagens cativantes + elenco afiado + muita comédia) – repetição de estrutura no roteiro = uma série de comédia acima da média, que merece durar muito mais tempo. Sério, só assistam The Goldbergs e se apaixonem na hora!