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Séries: O fim de How I Met your Mother

1 de abril de 2014 - 19:25 - Flávio Pizzol

[Esse post pode conter alguns spoilers relativos ao final da série]

Chega ao fim uma das melhores comédias dos últimos tempos. Não importa se a série é cópia de Friends ou não, já que com uma dose enorme de criatividade e carisma conquistou seu próprio público, bateu recordes e durou nove temporadas. Mas tudo o que é bom termina e é melhor que termine na hora certa…

A história de How I Met your Mother é auto explicada pelo seu título, que em português significa “Como conheci sua mãe”. A série é narrada pelo personagem Ted, que resolve contar a história de como conheceu o amor da sua vida para seus filhos “de maneira direta e objetiva”, como o próprio diz no último episódio.

Uma história longa que envolve 5 amigos, muitos amores, pés na bunda, bebidas, abacaxis, bodes e noites legendárias, de uma forma que a história não é nada direta, sendo que o foco na historia da mãe foi diversas vezes deixado de lado nas temporadas. Tudo isso por que o que importava era a jornada e não o fim.

Não foi fácil despedir de personagens contagiantes e inesquecíveis que me fizeram rir por 6 anos (as três primeiras temporadas foram engolidas por essa pessoa em 3 semanas), com suas histórias, piadas e dramas. Dramas que sempre acompanharam a série e recebiam um tratamento diferenciado. Diferente de Friends e da Seinfeld – que é a fonte das séries focadas em grupos de amigos – How I Met sempre soube lidar muito bem com seus momentos dramáticos e emotivos. Um exemplo disso é o ótimo episódio da morte do pai do Marshall, que é um dos melhores da série.

Outra diferença de How I Met, em relação as outras séries citadas, é o seu desenvolvimento. Nenhuma série usou tão bem elementos atemporais, como a narração do futuro e os flashbacks/flashforwards. São idas e vindas no tempo que dão pistas sobre o que está pra acontecer ou fazem piadas sobre os passados desastrosos dos personagens. Como esquecer dos “sanduíches” de Ted e Marshall na faculdade, da Lily gótica, do Barney hippie e chorão e dos clipes feitos pela Robin.

Todos os diferenciais foram intensamente trabalhados na nona, e última, temporada da série, que, mesmo não sendo perfeita ou espetacular, funcionou muito como final de série, criando uma sensação de nostalgia desde o primeiro episódio da temporada. As piadas e os dramas marcaram presença, assim como o desenvolvimento diferenciado, começando pelo formato da temporada que se passou em um único final de semana. Flashbacks relembraram fatos marcantes da série, idas ao futuro mostraram a tão esperada relação entre Ted e a Mother, enquanto acompanhávamos as desventuras dos preparativos e do casamento de Barney e Robin.

Em relação ao Season Finale em si, minhas opiniões ficaram divididas. Ver o episódio começando em 2005, relembrando do clássico “Have you met Ted?”, foi divertido e triste por mostrar com toda a certeza que era o fim da série. A relação dos amigos foi bem aproveitada, enquanto momentos nostálgicos eram jogados na cara do espectador. A opção por realizar um desenvolvimento diferenciado e ir viajando no futuro dos amigos foi surpreendente, já que eu esperava que episódio fosse se passar todo na festa e iria acabar no encontro entre Ted e Mother.

Apesar de diferente, a abordagem é relativamente similar ao que a série fez durante toda a sua duração e funcionou em alguns pontos. Enquanto descobríamos o que aconteceu com a gangue, continuávamos voltando a elementos consagrados, como Judge Fudge e as lutas entre robôs.

Entretanto, esse recurso também foi usado para enganar o público. Tenho que dizer que não gostei de ver Robin e Barney terminando de maneira tão seca, depois de acompanharmos 22 episódios que comprovavam o amor entre os dois.

Também não gostei de saber que a Mother morreu e que o Ted terminou com a Robin. Afinal foram 9 temporadas para realmente conhecermos a Mother (seu nome é Tracy) e aí ela morre e os filhos forçam Ted a ir atrás da Robin, depois de uma temporada dedicada a finalizar a relação deles, inclusive um plot só pra isso no penúltimo episódio. Isso cria uma ligação com o inicio da série, quando torcíamos pelo casal, mas sabíamos que ela não era a mãe, mas eu me senti totalmente enganado. Eu já estava gostando da Tracy, que era um fiel espelho feminino do Ted, e ela morre pro Ted ir atrás da Robin.

Mas o finale também teve momentos interessantes e emocionantes. Além da nostalgia e do sentimento de separação, quem não se emocionou com o encontro de Barney com sua filha (que cena linda feita para fechar o arco do personagem mais hilário e cafajeste de todos os tempos) ou não riu com “high five” eterno?

Não importa se o episódio foi perfeito ou não, já que nunca esqueceremos das atuações de Neil Patrick Harris, Jason Segel, Josh Radnor, Cobie Smulders e Alyson Hannigan. A série foi o passaporte para voos maiores nas carreiras desses atores e ainda os veremos muito em filmes e outras séries.

Nunca esqueceremos dos momentos geniais que foram repetidos milhares de vezes durante toda a série. Como esquecer do clipe de “Let’s Go to the Mall”, da icônica frase “Legen… wait for it… Dary!”, da aposta do tapa, dos Doppelgangers, do Playbook ou do Bro Code, dos milhões de “High Fives”, “Challenge Accepted” e Suit Up’s ditos por Barney (entre tantas outras tiradas épicas), das lutas de espadas, do “barrato”, de Ranjit e do guarda-chuva amarelo.

Acho que a série durou um pouco mais do que o necessário, mas não deixou que se tornasse um problema tendo um final divertido, real e agridoce que relembrou elementos da série de maneira perfeita e finalizou esta na hora certa. Foram 208 episódios competentes que duraram enquanto podiam. Valeu How I Met your Mother!