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Séries: Marvel’s Agent Carter (2ª Temporada)

8 de Março de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

O provável fim de um ótima série


2du1zsjVRMhyNQSGtdhNbRJZRMiSe existe uma certeza na vida é a de que o universo cinematográfico da Marvel alcançou um nível de sucesso que é difícil de ser batido. Com isso, logicamente, surgiram as oportunidades de expandir o reino e oestúdio também conseguiu encontrar seu espaço na televisão americana. Agents of S.H.I.E.L.D, o carro-chefe do estúdio, já encontrou seu público e está cada vez melhor, mas – infelizmente – sua irmã de espionagem pode estar encerrando de vez suas atividades com uma temporada deliciosamente leve e elegante.

Mantendo a premissa leve e simples que também dominou o primeiro ano da série, a nova temporada levou nossa querida Peggy Carter para Hollywood com o objetivo de investigar um crime super misterioso. Só pra variar um pouquinho, uma grande conspiração acabou sendo revelada e a protagonista precisou agir por baixo dos panos para impedir a destruição do mundo.

É uma premissa que tem a cara de um produto da Casa das Ideias e que, desde os primeiros minutos, acerta em cheio ao fazer conexões interessantes com Agents of S.H.I.E.L.D e os Inumanos. No entanto, um dos maiores méritos de Agent Carter é justamente ter muito mais liberdade para funcionar de forma isolada e fazer com essas referências sejam muito mais sutis, afinal ela não é uma peça essencial para o intricado quebra-cabeças de fases que a Marvel está planejando para um futuro próximo.

Dessa forma, o roteiro pode se desenvolver de maneira muito mais leve e despreocupada, usando a maior parte do tempo para criar histórias interessantes que brinquem com os principais estereótipos da espionagem, fazer o espectador se prender aos momentos mais emocionais e misturar ação, suspense, comédia, drama e até musical de forma cadenciada e divertida. E para melhorar ainda mais, faz isso junto com discursos forte sobre o potencial feminino e a luta contra o preconceito que fazem com que a série seja extremamente atual e adequada ao nosso contexto social.

Tudo isso, é claro, sempre acompanhado de uma direção muito interessante e, principalmente, de uma ambientação perfeita dos anos 40 e 50. A direção de arte, a fotografia e o figurino ajudam a complementar a história e dão o toque de charme que faz com que a série irresistível. Essa temporada que se passa em Hollywood então possui um visual elegante, sofisticado e cheio de nostalgia.

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Apesar de tudo isso funcionar muito bem, o verdadeiro trunfo da série está nos seus personagens. Todos são bem desenvolvidos, possuem diálogos sensacionais, aproveitam seus momentos de destaque e são muito bem interpretados por um elenco cheio de química que interage muito bem entre si, incluindo a ótima vilã dessa temporada. Considerando isso, a qualidade da série deve muito aos ótimos trabalhos da sempre bela Hayley Atwell, do divertido James D’Arcy, do competente Enver Gjokaj, do ambíguo Chad Michael Murray, do inteligente Reggie Austin, da assustadora Wynn Everett e de tantas outras participações menores.

No final das contas, Agent Carter é uma série extremamente divertida, bem produzida e rápida de ser assistida que merecia ter encontrado seu público na televisão. No entanto, a vida tem dessas coisas e a série provavelmente se despediu em alta e deixando um belo de um final aberto para os fãs ficarem com a pulga atrás da orelha. Provavelmente será só isso, mas a jornada foi muito boa enquanto durou.


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