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Séries: Luther (4ª Temporada)

12 de Janeiro de 2016 - 14:00 - Flávio Pizzol

Pouco tempo para muito Luther

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Luther é mais uma série britânica que tem o dom de fazer os fãs esperarem muito tempo por novos episódios, principalmente depois que Idris Elba se tornou um dos atores mais desejados do cinema mundial. Pelo menos, assim como com Sherlock, esses retornos não conseguem ser menos do que sensacionais.

Nessa nova temporada, que foi composta por apenas 2 episódios, Luther está de licença do trabalho como policial até se ver obrigado a voltar para ajudar na investigação de um serial killer que come partes das suas vítimas. No entanto, o problema fica maior quando Alice Morgan e outras feridas abertas do passado do protagonista voltam para assombrá-lo.

Como sempre, Neil Cross (criador e roteirista de todos os episódios da série) sabe como contar esse tipo de história como poucos e, mesmo com alguns escorregões, desenvolve os caminhos escolhidos de maneira decente, inteligente e cruel. O assassino da vez entra com toda a certeza no hall dos piores criminosos apresentados pela série, apesar de sofrer com a falta de espaço e com uma resolução que deixa a desejar quando tenta conectar todos os crimes a fatores amorosos e psicológicos.

Do outro lado, o roteiro apresenta uma história mais completa quando mistura a suposta morte de Alice com o caso do menino morto quando Luther ainda era um novato. Entretanto, essa parte sofre com o mesmo problema de falta de espaço, sendo que eu fiquei com a impressão de que dois episódios não apresentaram o tempo necessário para explicar todas as conexões, aprofundar algumas motivações e abordar tudo da maneira correta.

Mesmo assim é impossível dizer que Neil erra quando chega a hora de criar momentos de tensão, desenvolver diálogos afiados e, principalmente, entrar na mente de John Luther. Ele consegue fazer tudo isso de maneira brilhante e tem total consciência de que a força de Luther nunca esteve na resolução do crime em si e sim em como o protagonista lida com eles. São os acessos de raiva, as deduções e as tomadas de decisões que mostram novas e antigas facetas do detetive e ganham o verdadeiro destaque dentro dessa trama.

A direção de Sam Miller (que já comandou  dos 16 episódios de Luther) também sabe exatamente quais são os aspectos que funcionam de maneira mais intensa na série e isso permite que, além de criar uma das cenas de abertura mais preocupantes da série, ele saiba como acompanhar a vida de Luther. Ao lado de um ótimo trabalho de direção de arte e de edição, ele dirige o episódio com o mesmo vigor de sempre, apoiando muita coisa nas atitudes e nos pontos do cenário que acrescentam novas camadas ao protagonista.

E, como já fez em todas as outras temporadas, Idris Elba sabe aproveitar isso muito bem. Dessa vez ele está mais contido do que o normal, mas seu retorno ainda é um show de atuação e ele consegue segurar boa parte das duas horas de programa quando o restante parece falhar. Mesmo assim, Rose Leslie, John Heffernan, Dermot Crowley, Michael Smiley e Patrick Malahide também merecem algum destaque por aproveitarem os momentos mais interessantes dos seus coadjuvantes.

No final das contas, Luther continua sensacional e seu retorno merece ser assistido para que os fãs possam matar a saudade dessa ótima obra da BBC. Entretanto, o formato comprimido em dois episódios prejudica uma série que sempre teve mais tempo para se desenvolver com calma e se aprofundar nos seus personagens como poucos programas. A falta de alguns desses aspectos faz com que essa seja uma das temporadas mais fracas de Luther, mas isso não quer dizer que ela seja menos do que sensacional.

OBS 1: Só para reforçar, as outras temporadas são praticamente perfeitas e viciantes, então entre na Netflix e assista logo.