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Séries

Séries: Crisis on Earth X

A melhor reunião de super-heróis da DC desse ano!

2 de dezembro de 2017 - 15:25 - Flávio Pizzol
[Aviso: Esse texto pode ter pequenos spoilers para quem assiste qualquer coisa da DC na televisão.]

 

Os crossovers televisivos do universo da DC Comics se tornaram um evento clássico dentro da CW, desde quando Barry Allen recebeu seu próprio arco de apresentação em Arrow e as séries derivadas começam a pipocar na velocidade da luz. Crisis on Earth X foi exibido esse ano com a proposta de funcionar como um grande filme (até o dia de exibição das séries foi trocado para diminuir o tempo entre os episódios) e ser uma grande celebração pra quem acompanha algum dos shows do nosso querido – às vezes problemático – Arrowverse.

 

E o pontapé para a reunião entre todos os heróis – um total de 24 personagens entre protagonistas e coadjuvantes – não poderia ser mais cartunesco. Reunir esse monte de gente para um casamento que vai acabar sendo interrompido por alguma ameaça mortal é um trama repetida inúmeras vezes tanto na Marvel, quanto na própria DC. Melhor ainda, a escolha dessa trama permitiu que o crossover em si começasse desde os primeiros minutos do episódio de Supergirl. É o exato oposto do evento anterior, quando o espectador comum (aquele que não acompanha todas as séries semanalmente) precisou assistir quarenta minutos de uma trama sem sentido da prima do Superman, esperando por um easter egg de Flash que só veio nos últimos segundos.

 

 

Fica claro que, dessa vez, as equipes que comandam os programas tiveram mais tempo pra organizar essa reunião, ganharam mais liberdade criativa e o resultado uma trama integrada e coesa que poderia fazer inveja na Liga da Justiça. Dentro de uma narrativa mais ampla que funciona graças a reviravoltas bem posicionadas e uma interação carismática entre os núcleos, cada um dos protagonistas não deixou de receber sua própria história mesmo sem ficar no centro de todos os acontecimentos. O episódio de Arrow, por exemplo, teve a primeira aparição dos coadjuvantes da série e o retorno de Tommy Merlyn, enquanto o episódio dedicado ao velocista escarlate reintroduziu o vilão (e agora herói de uma vez por todas) Leonard Snart.

 

A conclusão do crossover, por sua vez, aconteceu no oitavo episódio da temporada de Legends of Tomorrow e surpreendeu tanto por reunir todos os membros da equipe, quanto por conter a morte de um protagonista importante. Também teve a batalha final e a realização oficial do casamento, mas eu sou obrigado a admitir que o centro das atenções se mudou, eventualmente, para o encerramento de um arco que foi construído de forma tão interessante durante os três episódios anteriores que seus minutos finais conseguiram me emocionar. E esse fato nos leva para o próximo ponto positivo de Crisis on Earth X.

 

 

A verdade é que o roteiro, contando com a integração que eu citei ali em cima, conseguiu criar uma trama que honrasse as personalidades de cada herói (com direito a sósias que botavam em cheque seus ideais) e prendesse a atenção de qualquer espectador. Em outras palavras: mesmo quem não assiste algum dos programas envolvidos, conseguiu, sem grandes dificuldades, conhecer as características dos protagonista que importavam para esse momento e entender o que cada um está passando em uma trama individual. Se o preço a ser pago para alcançar esses objetivos forem apenas alguns diálogos didáticos, eu admito que aceito a realidade.

 

E aceito, principalmente, porque o evento conseguiu brincar com as melhores possibilidades do universo da DC Comics e ainda criar um universo alternativo, a tal da Terra X, que fosse tão atual e necessário de ser investigado. Afinal de contas, é com muito pesar, que precisamos aceitar que discutir o nazismo e seus ideais preconceituosos tornou-se extremamente necessário no decorrer desse ano.

 

 

Além disso, Crisis on Earth X consegue – sem derramar uma gota de sangue – cumprir boa parte da sua proposta com piadas eficientes vindas de todas as direções, questionamentos positivos, arcos bem concluídos, romances para todos os gostos, efeitos especiais que estão um degrau acima dos utilizados nos shows individuais (a maioria deles é mais crível que a boca fake do Superman no longa da Liga) e cenas de ação preenchidas por coreografias bem elaboradas. O resultado ainda é uma reunião de episódios televisivos que não devem agradar o paladar daqueles que não assistem as séries envolvidas, porém funciona perfeitamente como uma divertida e alucinante celebração do Arrowverse. É certamente a melhor reunião de heróis do ano!