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Rian Johnson, diretor de Os Últimos Jedi, dá uma nova esperança à Star Wars

A Disney acertou em seu novo diretor

17 de dezembro de 2017 - 13:44 - felipehoffmann

Não se fala em outra coisa desde que Star Wars: Os Últimos Jedi estreou nos cinemas.

Cuidado, padawan. O texto abaixo está repleto de spoilers. Se ainda não viu o filme, controle sua força.

 


 

Johnson tem uma tarefa difícil após o término dessa nova trilogia de Star Wars. Vai ser complicado continuar uma saga sem todos os personagens principais de uma família que aprendemos a amar. Luke Skywalker está morto; Han Solo morreu; e a General Leia Organa terá suas últimas linhas de roteiro no próximo episódio de Star Wars, já que Carrie Fisher morreu em 2016, após as gravações de Os Últimos Jedi. Rey não é uma Skywalker e, embora Kylo Ren seja, a imagem que temos dele não está nem um pouco ligada a esse sobrenome poderoso.

Os Últimos Jedi não é só mais um filme na página de Rian Johnson no IMDB. É Star Wars. O jovem diretor tinha em seu currículo algumas coisas interessantes como o filme Looper e o polêmico episódio Fly de Breaking Bad. A inexperiência poderia custar caro mas Johnson soube fazer um filme a altura que Star Wars merece.

 

 

O diretor conseguiu desenvolver uma inteligência emocional que faltou em Rogue One. Em The Last Jedi ele gasta um bom tempo construindo a ideia de que ninguém é totalmente malvadão ou completamente bonzinho. São esses tons de cinza entre a luz e escuridão que dão a essência do episódio e abrangem ainda mais a personalidade de Kylo Ren, por exemplo, desenvolvendo uma empatia que não tínhamos em O Despertar da Força.

Já com Rey, Johnson provoca um conceito ganancioso na personagem. Ela pode aprender e aproveitar todo o poder que a força exige e exprimi-la em quem quiser. Luke fica com medo da força da jovem, aconselha a não vasculhar a escuridão, mesmo assim Rey insiste em conhecer a frieza das trevas. E isso é fascinante.

Talvez um dos grandes trunfos do filme seja seu próprio desenvolvimento. O diretor permite que você decida quem são, de fato, essas pessoas. A Resistência, ancorado no que restou dos Rebeldes da trilogia original, nem sempre são os mais inteligentes e escolhem as melhores opções. As armas que eles compram são vendidas pelos mesmos comerciantes que vendem à Primeira Ordem.

 

 

Finn está pronto para desertar da nave e ir para um planeta seguro e oculto, logo no início do filme. Poe Dameron está disposto a sacrificar sua equipe quase por completo para ter sucesso em sua missão. Os personagens em Os Últimos Jedi mostram suas falhas repetidamente, nos momentos em que precisam ser heróis. Luke Skywalker, por exemplo, por tudo que aconteceu em sua Academia Jedi, tornou-se um senhor amargo que não quer saber da Resistência. Ele não tem só medo, Luke se desconectou completamente da força. Não dá pra ser herói enquanto a galáxia inteira arde em chamas e você aguarda a morte num oásis escondido.

Rian Johnson deu a Kylo Ren múltiplos pontos de vista. Toda essa angústia que Rey insiste em dizer que ele possui, e as memórias do seu passado deixa para nós, fãs, escolhermos a versão que mais agrada e que acredita ser a verdadeira. Toda essa dúvida, nos leva a passear pela personalidade de um líder extremamente malévolo até um garoto mal interpretado com uma força surpreendente. Sua raiva faz sentido. Jonhson transforma Kylo em alguém que precisa ser salvo. Não morto.

 

 

Star Wars: Os Últimos Jedi é um episódio sutil, cheio de debates interessantes que ficamos pensando enquanto os créditos subiam e as moças da limpeza nos expulsava.

Interessante é ver a aprovação de The Last Jedi entre os críticos e a “reprovação” pelo público. No Rotten Tomatoes sua aceitação é de 93%, enquanto pelo público, apenas 57%. As críticas do público chamam o episódio de “lixo total”, “completo desastre” ou “não é bom o suficiente para ser considerado um filme”.

Os Últimos Jedi conseguiu fazer algo que poucos conseguiram, incluindo J.J. Abrams com O Despertar da Força: inovar a série. Star Wars: Os Últimos Jedi está longe de ser uma reprodução de O Império Contra-ataca assim como O Despertar da Força foi de Uma Nova Esperança. The Last Jedi tem personalidade e isso, muito provavelmente, levou a Disney a dar uma nova trilogia para Rian Johnson. Star Wars está mudando e está mudando para melhor.