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Livros e HQ’s: Dr. Estranho – Shamballa

4 de outubro de 2016 - 17:00 - Tiago Soares

“Atacado você é a calma proteção, atacando é a própria eficiência”


shamballabeloFalta exatamente um mês para a estreia do próximo filme da Marvel StudiosDr. Estranho chegará às telonas de forma tímida (algo refletido em seu marketing, pelo menos até agora), e promete introduzir os fãs e o público ao universo da magia a um universo que já apresentou tecnologia, deuses nórdicos e alienígenas. Pensando nisso a cada semana falaremos de uma HQ específica do Mago Supremo da Marvel, para que você possa conhecer mais o personagem. Mas antes, um pouco de história:

O Dr. Estranho (Doctor Strange no original) foi criado por Stan Lee e Steve Dikto na década de 60, mas não tinha história própria e dividia espaço com o Tocha Humana em sua HQ solo. O nome não era original, pois já tinha sido usado pelo próprio Stan Lee em um vilão do Homem de Ferro anteriormente, mas Stephen Vicent Strange apresentava novidades em muitas outras áreas, como a ausência de força bruta, e o uso da inteligência e da magia, além de uma série de feitiços, criados por Lee, e baseados nos programas de rádio dos anos 40.

Stephen Strange era um cirurgião talentoso e renomado, mas de extremo ego e arrogância. Após um acidente de carro, Stephen perde o movimento das mãos e procura a cura em vários lugares, até que chega ao Himalaia e conhece um velho sábio chamado Ancião. Comovido por ele e buscando um sucessor, o Ancião o treina na arte da magia e explica que existem muitos outros mundos além do físico. Desde então, Strange usa seus poderes para “ajudar” o mundo a enfrentar não apenas as ameaças físicas, mas principalmente as sobrenaturais.

Cria ilusões, possui projeção astral e comunica-se mentalmente com os outros. Possui também o Olho de Agammotto que o auxilia telepaticamente, tem poderes telecinéticos e cria campos de energia. Teletransporta a si mesmo e outros, absorve energia mística de outros seres, tem conhecimento em Magia Negra, mas só a usa quando necessário, e utiliza a Capa de Levitação que o faz voar. Tudo isso para enfrentar seu maior inimigo Dormammu, pai de sua namorada e depois esposa Cléia, e liderar o grupo Defensores. Bom, chega. Como você pode perceber, Dr. Estranho é um personagem rico e pode ser muito bem explorado no cinema, mas estamos aqui para analisar a Graphic Novel lançando nos EUA em 1986, e aqui no Brasil pela Editora Abril em 1989: Shamballa.

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O nome Shamballa não é inédito, pelo menos se você tiver visto o 2º trailer de Dr. Estranho, no qual o Barão Mordo entrega um papel com este nome escrito para Stephen que pergunta se é seu mantra, e Mordo responde que é apenas a senha do wifi. “Não somos selvagens”, diz ele. Na verdade, o nome foi tirado da Graphic Novel de sucesso, uma das mais lidas e conhecidas do Mago Supremo da Marvel, que conta a saga de Stephen Strange, após a morte do Ancião, com o mesmo recebendo um presente do antigo mestre, uma caixa, que ele passa 40 dias e 40 noites para desvendar o que é, e quando descobre, é sugado para o mundo de Shamballa.

O texto de J.M. De Matteis é bastante filosófico, e em toda a saga você fica em dúvida se Dr. Estranho foi sugado para essa nova dimensão para salvar o mundo, ou se é apenas uma jornada pessoal de auto-conhecimento. “O grande cirurgião não salva mais vidas, ele salva almas” é o que os Lordes Shamballeses sempre lembram a Strange, que passa por alguns testes e é teletransportado para vários lugares. A constante luta com seu ego, que permanece grande principalmente após se tornar o Mago Supremo e contra os prazeres mundanos são os pontos chave dessa história.

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Além do roteiro, a arte de Dan Green também é um show a parte, com cada página parecendo uma pintura, e as vezes nos ocultando partes importantes, para o que olhemos de perto e com atenção maior, uma verdadeira Aquarela, que tem muito cuidado até nas letras e simbologias. Das HQ’s que li do Dr. Estranho, Shamballa foi a que menos gostei, talvez por ter sido a que me apresentou o personagem, pois ela não tem esse propósito, relendo e já sabendo da história do Mago, um leque maior de possibilidades se abriu, mas saiba que Shamballa não é um bom início, além de apresentar a breve origem de Strange em poucas frases.

Mesmo não sendo a melhor para começar, Shamballa merece ser lida, pela riqueza no texto e na arte, pelos questionamentos de Strange sobre o mundo, ele mesmo e até nós. Com 68 páginas, recomendo uma leitura lenta e reflexiva sobre cada uma delas, que parecem obras de arte. Até semana que vem com mais uma dica.