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Filmes

Liga da Justiça: O medo, a esperança e o heroísmo

Este texto contém spoilers de Homem de Aço, Batman vs Superman e Liga da Justiça

19 de novembro de 2017 - 16:16 - Tiago Soares

Na semana passada, eu e uma amiga discutíamos sobre a mais recente produção da Marvel Studios – Thor Ragnarok – e falávamos sobre o filme até que tocamos no assunto sobre heroísmo. Thor não sofreu um acidente, foi picado por uma aranha, foi infectado por raios gama ou tem um reator no peito. Ele é um herói genuíno. Nasceu com regalias, e poderia escolher muito bem ser ou não ser aquilo, não teve responsabilidades e como ele mesmo diz no próprio filme: É o que os heróis fazem né?

Liga da Justiça chega aos cinemas fechando uma trilogia particular de Snyder sobre medo, esperança e heroísmo. Estes três sentimentos percorrem os 3 filmes, tanto visualmente, como narrativamente. O medo desde Homem de Aço está na vida do jovem Clark e sua família. Jonathan Kent morreu com medo, acreditando que o filho não devia se mostrar para o mundo pois isso afetaria sua vida de maneira irreversível, ao mesmo tempo ele tinha esperanças em Clark, como vimos em Batman vs Superman.

Falando nele, Batman talvez seja o personagem que melhor traduza o medo. Ele possuía esse sentimento por temer o que Superman faria com a Terra e o que ele atrairia. Além disso ele era o responsável por marcar as pessoas, uma visão do Batman de Frank Miller que não era um simbolo de nada e só servia para colocar medo naqueles que incitavam o crime em Gotham.

Liga da Justiça é o filme que uniu este sentimentos em um só. O fato dos parademônios de Apokolips se alimentarem do medo não é em vão e a prólogo de Liga da Justiça mostrar que vivemos num mundo cercado de medo, refletido em xenofobia, racismo, misoginia e incerteza, que vem principalmente dos nossos líderes.

Não há mais esperança e não sabemos mais para quem olhar – e quando Lobo da Estepe chega a este mundo – ele encontra apenas isso: medo. A esperança vêm de outros mundos, e está em Superman – que mesmo morto – vive no imaginário e Mulher-Maravilha, que deixou de acreditar neste mundo há muito tempo e agora volta, porque sente que ele precisa dela.

A ideia de um Batman mais positivo está justamente aí. Ele sentia medo, e agora apoia toda sua confiança neste heróis. Suas conversas com Diana e Alfred refletem o que este homem se tornou: um ser mais humano. “Ele trabalhava, estava noivo e ainda salvava as pessoas” são essas as palavras de Bruce ao perceber que precisava fazer de tudo para trazer Clark de volta a vida. Egoísta? Talvez, mas foi a decisão de um homem desesperado e que se sentia culpado.

Apesar de trazer esperança, a volta do Superman foi cercada de medo, porque ele não sabia o porque tinha voltado e Lois aparece como um símbolo de esperança. Ciborgue é outro que sentia medo daquilo que se tornou, mas com a ajuda de Diana e seu pai Silas, soube que também poderia se tornar um símbolo de justiça.

Por fim, o heroísmo. Algo que funciona muito bem em Liga da Justiça, se notarmos que metade dos heróis tinham sequer sido introduzidos. O tema central, sobre ser herói nos tempos atuais, acaba refletindo o nosso mundo.

Liga toca em temos relevantes, sem verborragia e mostra que o mundo precisa sim de mais esperança e mais atitudes altruístas. E mesmo que a esperança esteja morta, ou não acredite mais no mundo, ou esteja com medo – Liga da Justiça mostra que ela pode renascer – voltar a acreditar e vencer o medo.