AODISSEIA
Livros e HQ's

Leitura Obrigatória: Graphic MSP

Prepare-se para altas doses de nostalgia e emoção!

15 de setembro de 2017 - 09:03 - Flávio Pizzol

 

Maurício de Sousa e sua indústria de quadrinhos já fazem parte da história da cultura pop brasileira, ocupando não só as páginas das revistas, como os jogos, os passatempos infantis, os desenhos animados e o cinema. Suas histórias e ideias ensinaram crianças a ler, começaram a dialogar com o público jovem para não perder espaço no mercado e, por fim, decidiu reinventar suas história em formato de graphic novels pensadas para um público mais velho.

 

Através do selo Graphic MSP, Maurício e seu editor Sidney Gusman coordenam a produção de narrativas fechadas cujo objetivo principal é lançar novos olhares nos personagens que fazem parte desse universo. Dentro dessa proposta, o principal acerto está na liberdade criativa que permite que quadrinistas nacionais criem suas próprias tramas e até transformem os traços tão icônicos de Maurício. Aproveitando o lançamento de Capitão Feio promovido pela Panini na Bienal do Rio de Janeiro, eu separei cinco títulos (entre os que já li) que merecem estar na sua lista de leitura obrigatória. Acredite, o resultado é brilhante, surpreendente, nostálgico e emocionante.

 

 

Astronauta – Magnetar

 

Primeira publicação do selo em questão, a releitura do Astronauta é o começo de uma trilogia escrita e ilustrada por Danilo Beyruth (as continuações são Singularidade e Assimetria). A história de estréia merece sua atenção pelas qualidades artísticas de roteiro e desenho, a manutenção das características filosóficas do protagonista criado por Maurício de Sousa na década de 60 e render uma discussão profunda sobre a solidão. Além disso, essa revista tem uma das melhores representações de rotina de todos os tempos e o todo renderia um belo longa de ficção científica.

 

 

Turma da Mônica – Laços

 

A história desenvolvida pelos irmãos Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi ganhou seu lugar nessa seleção por dois motivos principais: a) é a primeira reinvenção da Turma da Mônica – maior marca da MSP – em conjunto; b) vai ser a fonte de referência da primeira adaptação em live-action (conduzida por Daniel Rezende, responsável pelo ótimo Bingo) do universo de Jardim Limoeiro. Além disso, Laços é leve, divertida, emocionante e entrega uma puta trama sobre amizade e superação.

 

 

Bidu – Caminhos

 

Os dois álbuns protagonizados por Bidu no selo Graphic MSP são exemplos perfeitos do quão inesperadas essas reinvenções podem ser inesperadas e emotivas, mas a primeira delas me surpreendeu como poucas histórias em quadrinhos conseguiram. A trama de Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho funciona como um prólogo para a amizade entre o cachorro e Franjinha, narrando suas aventuras do personagem nas ruas com ação, humor, emoção e um trabalho de arte que merece dois destaques: as composições de cena e uso de cores são brilhantes, assim como os diálogos onomatopéicos dos animais.

 

 

Chico Bento – Arvorada

 

Apesar de não ser a primeira graphic novel estrelada pelo Chico Bento, Arvorada se destaca por ter a proposta de roteiro e arte mais lúdica do selo. O quadrinista Orlandeli cria uma história emocionante (essa talvez seja a palavra-chave da maioria das publicações) sobre memórias, famílias e diversas formas de amor, enquanto a desenha com uma liberdade gráfica incomum na indústria mundial. A divisão em quadrinhos foram praticamente ignoradas para deixar que a pureza da roça extrapolasse as páginas com leveza, cores espetaculares e um bem-vindo toque sobrenatural.

 

 

Louco – Fuga

 

Essa publicação escrita e desenhada por Rogério Coelho talvez seja a escolha mais inesperada dessa lista, visto que o próprio Louco é um personagem que faz parte da segunda divisão das criações da MSP. Eu sei que algumas histórias que eu ainda não li podem ser bastante superiores a essa, mas Fuga me conquistou quando deixou claro que parte da sua proposta era refletir a loucura do protagonista na narrativa. O roteiro se apropria das mudanças temporais e da imaginação, os desenhos (incluindo balões de diálogos, letterings e fuga de quadros) são cartunescos e completamente desprendidos de convenções da arte sequencial, os cenários possuem uma grande dose de magia e as cores marcam pelo exagero. A trama definitivamente não é das mais surpreendentes, mas a construção surtada de universo mexe com o leitor e deixa um gostinho de quero mais.