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Os ensinamentos de Batman, Superman e Esquadrão Suicida


Luz versus Sombra, Thanos versus Darkseid, Flash versus Mercúrio, Nova York versus Gotham City, Mutantes versus Meta-humanos, Vingadores versus Liga da Justiça e muitos outros exemplos. O duelo entre Marvel e DC Comics é mais antigo do que muita gente pensa e já assumiu milhares de formas em várias mídias, mas a construção de ambos os universos cinematográficos tem esquentando ainda mais essa disputa. A Marvel certamente saiu na frente e a reunião dos seus heróis em Vingadores foi uma espécie de sinal de alerta para a Warner, que já começou a preparar seu exército com Homem de Aço.

A visão mais sombria e dramática do Superman estreou em 2013 e não chegou nem perto de ser aceito pela crítica e pelo público, enquanto o questionável Homem de Ferro 3 arrecadava 1,2 bilhão de dólares pelo mundo a fora. A resposta, que precisava ser grandiosa, veio com o surpreendente anúncio de Batman vs Superman (crítica aqui) na Comic Con. Por outro lado, o resultado também dividiu as opiniões de uma forma quase inédita e a arrecadação não ao tão sonhado bilhão, além de colocar em cheque várias escolhas estilísticas feitas por Zack Snyder.

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Por conta disso, todas as esperanças foram depositadas em Esquadrão Suicida e seus trailers completamente surtados. O resultado não foi tão desastroso (leia nossa crítica), mas repetição de vários erros, principalmente dentro da própria produção, são o ponto de partida para pensarmos no que a DC precisa mudar para ter mais chances de alcançar o sucesso de público, conquistar o gosto exigente dos críticos e criar as adaptações que seus grandes super-heróis merecem. Entre a ansiedade por resultados e os prazos apertados, nós fomos bem singelos e separamos apenas três aspectos que podem ajudar na criação desse multiverso, então vem com a gente!

  • 1) Posicionar as peças fundamentais da sua produção

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A Warner, que, ao contrário da Marvel, possui todos os super-heróis da DC no seu catálogo de ofertas, precisa decidir como será a atuação dos seus produtores nos bastidores e manter essas escolhas até o final dos dias. Está cada vez mais claro que a melhor opção não é deixar o diretor “fazer o filme que quer” para, depois de tudo, ficar mudar o filme todo (literalmente) na pós-produção, seja com a exibição de versões distintas ou a diminuição da duração de um filme.

Aparentemente, eles já fizeram sua escolha ao colocar Geoff Johns como presidente da DC Entertainment, divisão de cinema da editora. Junto com Jon Berg, vice-presidente executivo da Warner, ele deve ter a função de centralizar a parte criativa do universo e organizar o tabuleiro de xadrez, controlando a aprovação de filmes, as principais contratações de equipe e as participações de outros personagens. No entanto, é importante deixar claro que isso não significa o fim da tão vendida liberdade dos diretores.

A função exercida por Kevin Feige na Marvel Studios é um bom exemplo disso. Mesmo alimentando a fama de controlar todos os passos dos filmes com mão de ferro, ele não deixa de entrar em brigas com seus superiores para defender o que ele também acredita. A última dessas foi comprada para garantir o pagamento dos cachê milionário de Robert Downey Jr. e sua participação em Capitão América: Guerra Civil, culminando inclusive em uma grande cisão executiva no estúdio.

Claro que ele também cobra por esse trabalho com uma lista de obrigações, que não necessariamente acabam com o trabalho individual da equipe contratada. Dentro desse contexto, outro grande exemplo pode ser o diretor James Gunn e sua total liberdade criativa em Guardiões da Galáxia, um dos maiores e mais surpreendentes sucessos do estúdio.

Ele sabe que precisa incluir uma Joia do Infinito, levar certo personagem para tal lugar ou manter aquele outro vivo, mas consegue trabalhar isso na sua visão, mantendo a participação do Ego, a ponta de Howard, o Pato e até a inclusão de uma grande quantidade de piadas pesadas e loucas. É um método que garantiu boa parte dos acertos da Marvel e pode muito bem ser adaptado para a DC sem que isso signifique adotar o formato de filmes da sua rival.

  • 2) Arrumar tudo (ou a maioria das coisas) antes das gravações

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A pré-produção é uma fase tão importante quanto todas as outras de uma grande produção e Warner precisa ter mais calma durante esse processo. É importante preparar cada passo com muita paciência, evitando fazer anúncios repentinos, aprovar ideias com poucos dias de amadurecimento ou dar a luz verde para projetos por pura empolgação. No caso de Esquadrão Suicida, uma fonte próxima à Warner disse ao The Hollywood Reporter que David Ayer “escreveu o roteiro em coisa de seis semanas, e eles simplesmente seguiram com aquilo”, insinuando que o resultado poderia ser melhor com mais tempo de trabalho.

Não estou falando que só isso vai evitar os problemas, mas respirar fundo antes de qualquer decisão pode ser um bom começo. Isso é decisivo para garantir a aprovação de cada elemento antes de realmente ligar as câmeras. É um tempo necessário para escolher as pessoas certas para comandarem cada produto, escolher o tom que cada longa vai ter e aprovar designs de personagens, elenco, figurinos, efeitos especiais e tudo mais.

Pensem que a escolha surpreendente de Taika Waititi para comandar Thor: Ragnarok deve ter sido fruto de muita discussão, ou seja, esperamos que a Marvel tenha total noção de que o diretor vai adicionar uma dose de comédia muito grande ao filme. E eu acredito que essa escolha tenho sido pensada com muito mais cuidado depois dos supostos problemas com Edgar Wright em Homem-Formiga.

Ou seja, o negócio é o seguinte: nada de permitir o início das filmagens sem um roteiro fechadinho, se apoiar nas comuns regravações, picotar um filme para possibilitar mais sessões por dia ou ficar mesclando versões diferentes quando o lançamento já estiver chegando.

É certo que os executivos leram os roteiros e acompanharam as produções de Batman vs Superman e Esquadrão Suicida, logo sabiam do tamanho do filme, das relações passadas de Zack Snyder com seus filmes e da seriedade que os dois diretores queriam passar. Automaticamente, eles não deveriam ter motivos tão graves para mexer em tudo depois e isso nós leva ao próximo tópico.

  • 3) Respirar fundo mais uma vez e confiar nos seus produtos

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Assim como a preparação, a confiança também significa muito nesse caso. É muito importante que a a parte executiva da Warner Bros e da DC Entertainment acreditem nos seus diretores, nos seus roteiros e, logicamente, nos materiais finais que foram preparados pela parte criativa. Em palavras simples, claras e repetidas: tentar mudar as coisas no meio do caminho ou, no pior dos casos, depois de tudo estar pronto quase sempre dá merda. Claro que certas mudanças podem vir com o objetivo de levar o “melhor produto” para os cinemas, mas elas precisam ser tão bem preparadas e calculadas como todos os outros passos.

Não é nem um pouco inteligente deixar o desespero tomar conta após algumas (ou muitas) críticas negativas. O que aconteceu com Esquadrão Suicida comprovou que a solução certamente não está nas costuras feitas em cima da hora ou nos improvisos. Segundo a mesma fonte do The Hollywood Reporter, as opiniões dos executivos não estavam em sincronia e houve “muito pânico e ego ao invés de uma abordagem calma na questão do tom”. Isso, logicamente, deixou David Ayer sob muita pressão e atrapalhou o resultado.

Mas calma… Obviamente, é necessário ouvir as opiniões dos fãs justamente para polir as arestas do seu universo, mas sem a pressa apresentada até aqui. Os trailers de Mulher-Maravilha e Liga da Justiça já mostraram algumas mudanças, mas elas ainda precisarão ser testadas, afinal ambos os filmes já tinham começado suas gravações quando Batman vs Superman chegou aos cinemas.

Apesar do certo, do errado ou da resposta positiva nas bilheterias (Esquadrão precisa fazer US$ 800 milhões para evitar o prejuízo), o recado é fazer as coisas com calma e preparação para encontrar o melhor caminho e nos presentear com os filmes que Batman, Superman, Flash e todo esse panteão merece! Bora, DC Comics!

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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