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Especial

Especial: O filme-solo do Coringa

Qual será a origem do personagem?

23 de agosto de 2017 - 19:50 - Flávio Pizzol

 

Parece que a Warner não cansa de deixar os fãs da DC preocupados ou, no mínimo intrigados com seus anúncios fora da caixinha. Isso seria bom no sentido criativo, se os executivos do estúdio não parecessem com macacos apertando botões aleatórios e esperando por uma ideia que funcione. A bola da vez (o boato de que o filme-solo do Batman não fará parte do universo compartilhado surgiu enquanto esse texto estava sendo redigido) está girando em torno de um possível filme-solo do Coringa, abordando a sua origem enquanto ignora tudo o que foi construído em Esquadrão Suicida.

 

A proposta faz parte de uma iniciativa cujo objetivo é expandir o universo cinematográfico da DC com longas que  priorizem novas abordagem para os personagens clássicos, sendo assim desconectados da cronologia principal. De forma resumida, a mesma estratégia que movimenta a produção de graphic novels no geral, ou seja, histórias soltas que partam de perspectivas fora do comum. Os motivos que levaram a Warner até essa decisão são bastante nublados e, por isso, pela primeira vez na história desse site não vamos tentar identificar tais justificativas. Vamos pensar numa escala menor e tentar entender como será o filme do vilão mais icônico do Batman.

 

 

Antes de mais nada, vamos reunir as informações que foram divulgadas: o longa seria escrito e dirigido por Todd Phillips (Se Beber, Não Case), produzido por Martin Scorcese (Os Infiltrados) e estrelado por um ator mais jovem do que Jared Leto, último interprete do personagem. O objetivo é justamente contar a origem desse personagem com a temática dos filmes policiais que Scorcese conhece muito bem. Inclusive, os rumores apontam que o clima desejado seria bem próximo dos anos 80 retratados em Taxi Driver e Touro Indomável. Nesse contexto, a primeira pergunta que surge é qual origem vai ser utilizada, considerando que o Coringa nunca teve seu surgimento oficializado. Na verdade, o próprio Christopher Nolan chegou a brincar com isso ao fazer sua versão do vilão, em O Cavaleiro das Trevas, contar diversas histórias diferentes quando questionado sobre sua deformação facial.

 

A história de origem mais conhecida e aceita foi criada por Alan Moore para a – clássica – graphic novel “Batman – A Piada Mortal“. Nela, o personagem era retratado como um ex-químico que tentava ganhar a vida, sem sucesso, como comediante stand-up. Com a situação financeira cada vez pior e a mulher grávida, o homem desesperado aceita ajudar dois assaltantes a roubarem a empresa em que trabalhava: uma fábrica de cartas de baralho. Sua mulher acaba falecendo em um infeliz acidente doméstico no dia do assaltado, mas ele ainda é obrigado a realizar o trabalho disfarçado como o Capuz Vermelho em uma fantasia que atrapalha a visão. Após a intervenção do Batman, a tragédia final acontece quando o comediante cai nos resíduos químicos e fica completamente deformado. O conjunto da obra o enlouquece e o transforma no maior vilão da DC.

 

É improvável que a história completa da Piada Mortal seja adaptada para os cinemas, visto que a mesma já foi produzida como animação há pouco tempo e depende da participação ativa do Batman. No entanto, apesar de estar intimamente ligada ao restante da narrativa onde o Coringa decide comprovar que um dia ruim – como o que ele viveu – pode enlouquecer qualquer um, essa origem poderia gerar um filme que acompanhasse o surgimento e o começo da atuação do personagem, pegando emprestado o fato dele também ser o Capuz Vermelho em diversas versões desenvolvidas nos quadrinhos.

 

 

Mesmo sendo muito parecida com a versão acima, uma história lançada em Batman: Gotham Knights pode reforçar o clima de máfia e corrupção, já que nela a mulher do Coringa não morre em um acidente doméstico, e sim por dois policiais que querem obrigá-lo a participar do assalto. A união entre drama, crime, vingança e uma pitadinha de comédia de erros poderia funcionar tanto no estilo do próprio diretor contratado, quanto na temática dos longas produzidos por Scorcese.

 

No meio disso, outras versões complementam essa mesma história com problemas familiares, infância problemática, brigas na escola e mais algumas características que poderiam dar um toque interessante para o longa-metragem. Em “Arkham Asylum”, por exemplo, o personagem possui uma espécie de “super-sanidade” que foi criada para que o mesmo lidasse com o caos urbano. Já em “Case Study”, desenhada pelo mestre Alex Ross, ele é um gângster (mais um estereótipo recorrente no clima que pretende ser recriado) sem nenhum problema mental que, depois de ser desfigurado pelo Batman, planeja sua vingança com requintes de insanidade para se livrar da prisão sob a alegação de loucura. Nesse caso, quem escreve os relatórios psiquiátricos é, por total acaso do destino, a Dra. Harleen Quinzel.

 

 

Essa faceta do gângster que, por coincidência ou não, também foi utilizada na caracterização urbana do vilão em Esquadrão Suicida se aproxima bastante de outra graphic novel lançada em 2008: Coringa, escrita por Brian Azzarello e desenhada por Lee Bermejo. Ela não aborda a origem do vilão, mas acompanha, através do ponto de vista de um dos seus capangas, sua retomada criminosa após uma longa passagem por Arkham. Sua adaptação direta dependeria da participação de diversos outros vilões (alguns, como Arlequina e Crocodilo, já foram apresentados nas telonas) que atuam como meros capangas, parceiros do personagem-título ou adversários, porém o clima mórbido e decadente pode casar muito bem com a proposta divulgada.

 

Essa pegada mais pesada e adulta que costuma acompanhar histórias “soltas” da DC seria bem-vindo no cinema, caso fosse adaptado sem medo de abusar do sangue, da manipulação mental e da sexualidade dos personagens. Ainda não podemos afirmar se esse caminho vai resultar na futura substituição de Jared Leto ou alguma mudança mais drástica no universo, mas ninguém pode negar que o Coringa é um personagem suficientemente misterioso e rico para gerar um bom filme aleatório. É estranho, mas é interessante. Vai que cola, né?