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Especial: As Mulheres em 2015

26 de dezembro de 2015 - 15:00 - Flávio Pizzol

Um 2015 bom e um futuro que pode ser melhor

 

2015 vai chegando ao fim e uma das coisas que mais chamou nossa atenção foi a presença das mulheres no cinema. E, considerando que o ano que começou com diversas críticas a representação feminina nos cinemas e na televisão, podemos até dizer que o restante de 2015 revelou algumas surpresas e muitas participações femininas que mostraram sua força e vieram para ficar.

De fato, o ano não começou com uma visão muito boa em relação a atuação das mulheres, principalmente quando vimos que quase todas as indicadas aos Oscar não eram as verdadeiras protagonistas de seus filmes. Até as personagens mais fortes, como Jane Hawking (interpretada por Felicity Jones), não conseguiam competir com a presença de personagens muito mais imponentes e interessantes. No caso de A Teoria de Tudo, a história era contada sob o ponto de vista dela, mas Stephen Hawking e sua luta pela vida ainda roubavam todas as atenções.

Isso levantou uma série de questionamentos sobre o protagonismo feminino e a qualidade dos personagens femininos criados em Hollywood. E você não precisa ser nenhum ativista do feminismo ou especialista no assunto para perceber que existia pouca atenção e poucos papéis de destaque, principalmente de personagens que não precisam do apoio masculino para sobreviver ao desenrolar da trama.

Alguns filmes deixaram isso ainda mais claro para quem insistia em não perceber a realidade. Mila Kunis não carregou uma trama tão simples quanto a de O Destino de Júpiter sem a ajuda constante de Channing Tatum. Bryce Dallas Howard usou sua força para crescer sozinha na vida profissional e alvar uma parte do dia em Jurassic World, mas não conseguiu fugir das críticas por causa do seu salto e precisou ser salva por Chris Pratt em alguns momentos. E para piorar, uma das maiores bilheterias do ano ficou nas mãos de um filme que trata a mulher como um objeto sexual totalmente submisso ao homem.

Mas nós estamos em uma era moldada pela grande importância de Katniss Everdeen e outros filmes trouxeram alguns personagens que, mesmo sendo coadjuvantes, conseguiam se virar sem a ajuda de um herói masculino. Um bom exemplo pode ser encontrado em Roxy de Kingsman – Serviço Secreto, uma personagem criada especialmente para o filme e que tem papel fundamental na trama sem ser o par romântico do grande herói. Podemos dizer que isso já era um sinal de que o encerramento de Jogos Vorazes não seria necessariamente o fim da participação de mulheres fortes no cinema.

Aí veio a gloriosa estreia de Mad Max – Estrada da Fúria e George Miller nos fez o imenso favor de mostrar toda a força das mulheres, tendo muita coragem ao tirar espaço do consagrado Max para desenvolver uma personagem nova e muito mais interessante chamada Furiosa. E para ir ainda mais longe, o filme é completamente focado na fuga dela e de outras garotas de uma religião fundamentada no sacrifício e na submissão feminina com participações pontuais do personagem-título.

Um bom recomeço para o ano, mas com certeza não seria o bastante. Para nossa sorte ainda tivemos a prova de que as mulheres podem fazer uma comédia de qualidade com A Espiã que Sabia de Menos, a criação de uma versão feminina do Capitão Nascimento no longa policial brasileiro Operações Especiais, a presença gigantesca de Emily Blunt em Sicario e, é claro, o fim da saga de Katniss em Jogos Vorazes – Esperança: O Final. Isso tudo sem contar com a televisão e a estreia mais aguardada do ano.

No caso da telinha, é lógico que precisamos lembrar do lançamento das primeiras séries protagonizadas por heroínas da DC e da Marvel com Supergirl e Jessica Jones. E não importa o estilo da série, o canal responsável ou a qualidade da história quando temos uma quebra de barreiras que ainda não foi realizada nem no cinema, afinal de contas, salvando as devidas proporções, ninguém pode considerar a Viúva Negra como a protagonista de Vingadores.

A mesma coisa também pode ser apontada em Star Wars, já que, mesmo tendo muita importância na trilogia clássica, a Princesa Léia nunca foi a verdadeira protagonista da saga de George Lucas. Agora, finalmente temos uma protagonista feminina forte que carrega boa parte da história sozinha, que não precisa de um par romântico para validar sua existência e que já conquistou os corações de homens, mulheres e crianças com o seu domínio perfeito da Força. E o caso de Rey é, na minha humilde opinião, ainda mais importante por conta do alcance de público que o filme vai ter e, principalmente, por deixar claro que mulheres também podem ser nerds sem sofrerem o preconceito de outras pessoas e da mídia.

No fim das contas, esse 2015 acabou melhor do que o esperado, apresentando algumas personagens fortes e mostrando que elas podem ter um espaço muito maior na cultura pop. Claro que a porcentagem de filmes ainda é pequena, mas o caminho começou a ser preparado e o futuro promete ser ainda melhor com a indicação ao Oscar de Joy, com o lançamento de Rogue One (que é protagonizado pela mesma Felicity Jones que foi citada lá em cima), com a continuação da trilogia de Star Wars e, finalmente, com a chegada das super-heroínas em Mulher-Maravilha.