AODISSEIA
Filmes

Crítica: X-Men – Apocalipse

19 de maio de 2016 - 14:00 - Tiago Soares

Um novo fim, um velho começo.


462-film-page-largeMutantes. É a primeira palavra que Charles Xavier (Patrick Stewart) diz no primeiro filme dos X-Men lá em 2000. De lá pra cá muita coisa mudou, tanto nos filmes da franquia, como nos filmes de super-heróis em geral. Mudança que é exemplificada no primeiros minutos de X-Men Apocalipse, com o discurso de En Sabah Nur, o mundo não é mais o mesmo. O começo do filme é promissor, a cena de abertura é incrível, ficando atrás apenas de X-Men 2 (pra mim a melhor abertura de filmes de super-herói e uma das melhores do cinema). Toda a reconstrução do Egito Antigo, a adoração ao “primeiro mutante” e seus quatro cavaleiros do passado é sensacional, sem contar todos os créditos iniciais que passam por vários momentos da história.

Após milhares de anos En Sabah Nur volta a vida, e está disposto a continuar com o reinado que se iniciou há muito tempo atrás. Muito poderoso e praticamente invencível, o primeiro mutante (que nunca é chamado de Apocalipse), acumulou poderes de vários outros mutantes ao passar do tempo e está disposto a iniciar uma nova ordem mundial. É importante ressaltar que temos dois filmes em um só, e ambos entram em conflito, pois um deles é maravilhoso, o outro nem tanto. Um foca na origem dos novos mutantes conhecidos por nós, mas não pelo restante deles, que encabeça os X-Men e o outro no recrutamento do vilão.

A origem dos novos protagonistas, é um dos maiores acertos do filme, senão da franquia. Se no primeiro X-Men já os vemos com poderes, é um deleite vê-los aprendendo aqui. Scott Summers/Ciclope tem um Tye Sheridan dedicado e com a personalidade do personagem, além de um arco dramático que ajuda  na evolução do mesmo. Sophie Turner definitivamente é a nova Jean Grey do cinema, sentimental, forte quando precisa, e muito linda, a moça conseguiu fugir da áurea de Sansa (Sonsa) Stark em Game of Thrones. Kurt Wagner/Noturno (Kodi Smit-McPhee) é o contraponto necessário a esses dois, com um time cômico incrível, o personagem é um deleite aos olhos, tanto visualmente em cenas de ação, como seu sotaque. Jubileu (Lana Condor) também faz parte da turminha, mas infelizmente é deixada de lado, e serve mais como um fan service.

Depois da bonança, a tempestade. Não, não estou falando da personagem, mas sim do lado mais questionável do filme. Infelizmente os vilões tem sido o elo mais fraco dos filmes de héroi nesse ano. O En Sabah Nur de Oscar Isaac é um vilão nato, mas no sentido ruim da palavra, cheio de poses e trejeitos, o ator não consegue se expressar com a maquiagem pesada e quase não se mexe com a roupa, sua voz é outro ponto mal aproveitado, sendo normal às vezes e duplicada de forma forçada. Algo que se aplica em pelo menos três de seus cavaleiros.

ciclope

Psylocke (Olivia Munn) é outra que só está pelo fan service, linda e com um dos visuais mais fiéis adaptados, se limita a caras e bocas e algumas frases de efeito. O Anjo de Ben Hardy, tem motivações rasas e só se junta ao vilão título por não ter nada melhor a fazer. Um pouco melhor está Alexandra Shipp como Ororo Munroe/Tempestade, a atriz não é jogada gratuitamente, mas a mudança rápida de postura e sede pelo poder se dá de forma abrupta demais. O Magneto de Michael Fassbender se mostra o melhor acerto dos cavaleiros e da franquia, esse sim, com uma motivação bem trabalhada e com um lado nunca antes visto é o vilão que todos queríamos (pelo menos eu).

Além dos personagens fortes e fracos, é importante ressaltar as boas cenas de ação que permeiam a franquia. Quem não se lembra de X-Men 2 já citado aqui e sua cena de abertura. Ou a cena do Mercúrio em Dias de um Futuro Esquecido. Mesmo Mercúrio (Evan Peters) que repete uma cena mais incrível ainda neste longa. Ao som de “Sweet Dreams (Are Made Of This)“, do duo Eurythmics, o ator mostra carisma e prova que a zueira não tem limites. Hugh Jackman e sua aparição rápida, mas extremamente agressiva e pontual, é outro ponto a favor da produção.

Mas e a Raven/Mística de Jennifer Lawrence? Ao contrário do que os trailers mostram, o protagonismo não é só da atriz que tem um dos nomes mais badalados dos últimos anos. Ela divide bem o tempo de tela com o restante e apesar de seu rosto sem maquiagem aparecer mais no filme do que sua forma azul original (que tem uma desculpa), há uma ótima química com o Charles Xavier de James McAvoy e o Hank Mcoy/Fera de Nicholas Hoult.  Charles acaba se tornando o principal objetivo do vilão principal, pois seu tamanho poder, tanto de persuasão, como de telepata, são necessários para a conquista de todos os outros.

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Uma pena que tantos filmes de super-heróis tenham que ter obrigatoriamente um final grandioso. Talvez a excessão seja o ótimo Capitão América – Guerra Civil (leve spoiler) que tem um final mais contido e dramático. O excesso de CGI na batalha final acaba tirando um pouco a experiência, apesar de bem dirigida, os efeitos as vezes parecem falsos. A discussão que se segue sobre controlar ou não os poderes em uma batalha é interessante, mas poderia ser melhor representada visualmente, especialmente se tratando de Scott e Jean que tem dilemas morais sobrepujados por efeitos sem nexo.

Mesmo assim Bryan Singer consegue fazer um bom filme, e nos apresentar um novo fim, para um velho começo. Que começou em X-Men – Primeira Classe, e termina com uma nova equipe, que tem muito a oferecer tanto ao cinema, quanto aos fãs dos mutantes.


Obs: O filme tem uma cena pós-créditos, mas só fique se você realmente for fã do Wolverine, do contrário, não é relevante.


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