AODISSEIA
Filmes

Crítica: Voando Alto

30 de Maio de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

Uma divertida história de superação.


147366Você já deve estar cansado de assistir biografias de atletas, músicos e atores que venceram na vida e passaram por muitas dificuldades até chegar aonde chegaram. A mesma premissa do começo difícil, o aprendizado, o ajudante implacável, de fato cansa. Mas o que diferencia este filme, é o modo divertido como tudo é abordado. Tão divertido que gerou comparações com outro filme que tem uma história que diverte e se passa no gelo, o  Jamaica Abaixo de Zero (1993). Ambos tem semelhanças, mas acredito que Voando Alto consegue emocionar mais.

Eddie é um garoto que tem um sonho: Se tornar um atleta olímpico e representar o seu país. Desde criança ele busca todas as formas de se tornar um, indo desde o salto com vara, até prender a respiração por mais tempo, o que rende cenas impagáveis. Após descobrir os Jogos Olímpicos de Inverno, resolve entrar na equipe de esqui da Grã-Bretanha, e por acabar sendo expulso da mesma, encontra no salto de esqui uma forma de participar das Olimpíadas.

Sim, você leu bem. O que diferencia a tragetória de Eddie, é o fato dele não querer ganhar a competição, apenas participar da mesma. O protagonista é vivido com perfeição por Taron Egerton (Kingman), que pode ganhar ares de afetado aqui, mas quem conhece o Eddie Edwards original, sabe que ele é exatamente desta forma. Todos os trejeitos e a inocência muitas vezes prejudicial a ele, estão presentes. Keith Allen faz o pai de Eddie que vai contra as loucuras do filho, fazendo o incrédulo, mas que no fundo o ama, o que rende bons diálogos, inclusive os que envolvem a mãe Jo Hartley que ao contrário dele, apoia Eddie no seu sonho.

As cenas de saltos e os perigos dos mesmo são retratadas aqui de forma magistral. Toda a tensão antes do salto, o rosto dos saltadores, e a possível queda ou sucesso do salto, é tratada com respeito ao esporte, principalmente em uma cena final envolvendo Eddie. Que carinhosamente ganha o apelido de “The Eagle” (Águia), pois ganha o carisma da imprensa e do público, o que muitas vezes o torna motivo de chacota. Algo refutado por seu quase técnico Bronson Peary (Hugh Jackman), que reluta em ajudá-lo de início (o clássico), mas depois de uma reviravolta moral e sem profundidade resolve ajudar o jovem. Algo mostrado em boas montagens de treinamento.

eddie-xlarge

Montagens essas que pecorrem todo o filme. Seja na infância de Eddie, nos seus treinamentos, nas sucessivas (não poucas) quedas e decepções. Infelizmente, muitas vezes o filme apela para o clichê da música triste/cena de fazer chorar, o que é até compreensível, mas nos tira de todo o otimismo já estabelecido. Mesmo assim Eddie The Eagle, no original consegue emocionar em alguns momentos, principalmente aqueles envolvendo Eddie contra o mundo, que tem em Tim McInnerny seu principal quase antagonista.

A direção de Dexter Fletcher é competente, sendo sobrepujada pelo roteiro de Simon Kelton. A fotografia não mostra tantas paisagens como eu gostaria de ver, valorizando mais interiores. Mas nada que afete esse belo filme, e essa história que pode ser que você já tenha visto antes, mas não encarou com o mesmo olhar de Eddie.


Obs: Christopher Walken faz uma participação especial e meio desnecessária no filme.


odisseia-07