AODISSEIA
Séries

Crítica: The Originals – 4ª Temporada

Redução de episódios acelera a trama e faz mal a série

23 de julho de 2017 - 20:13 - Tiago Soares

Nunca pensei que esse dia chegaria. O dia que iria falar/digitar tal frase: Que saudade dos habituais 22 episódios de The Originals. Quem me conhece sabe que estou a cada dia, eliminando séries desse formato na minha grade, apesar da TV Aberta americana, continuar a exibir esse número absurdo de episódios, repleto de fillers. Mas, a boa notícia veio quando The Originals se tornou uma série de mid season, ocupando o antigo horário da série mãe recém finalizada: The Vampire Diaries e contendo apenas 13 episódios. Mas será que a ausência de episódios desnecessários deixaria a trama mais enxuta e colocaria a série derivada, que já estava melhor que a original (com o perdão do trocadilho), entre as melhores? Na teoria sim, na prática, nem tanto.

 

 

Sim, tivemos uma temporada mais objetiva, mas The Originals demorou a engrenar. É  como se tivessem gravado os episódios sabendo que iam ter os longos 22 capítulos de início e só depois souberam que eram apenas 13. Resoluções rápidas, personagens descartáveis que sumiam e desapareciam a toda hora que lhes era conveniente, uma vilã fraca, são apenas alguns dos problemas que essa temporada apresentou. A saga dos originais continua após um salto temporal de 05 anos. Marcel ainda é o rei de Nova Orleans, e Freya, com a ajuda de Hayley, busca desesperadamente acordar os seus irmãos do sono profundo em que se encontram. Freya acaba conseguindo, e após 5 anos a família retorna de seu martírio, com a pequena Hope crescida, e interagindo com todos.

 

Aliás um dos grandes trunfos da temporada foi a atriz mirim, Summer Fontana, sua química com Klaus (Joseph Morgan) foi uma das melhores coisas que este ano nos trouxe, sem contar o seu poder de atuação. Com TVD trazendo o próprio diabo como inimigo, seria difícil imaginar um melhor para a família unida e quase indestrutível, e infelizmente minhas suspeitas estavam corretas – a vilã desta temporada – chamada Hollow ou Inadu (Blu Hunt) – tem uma história de origem interessante, apresentada num flashback riquíssimo e até orgânico pra aquele universo criado por Julie Plec – mas a atriz escalada é fraca, e talvez por isso quase não aparece, fazendo com que o Hollow fique sempre em forma espiritual, possuindo outros personagens.

 

 

Todo o poder que habita na poderosa bruxa, deseja apenas mais poder e uma legião de seguidores, fazendo com que as motivações da personagem sejam tão profundas como um pires. Apesar disso, as voltas de Kol (Nathaniel Buzolic) e Rebekah (Claire Holt), mesmo com suas constantes saídas, são alívios para os olhos e a série cresce com a presença de todos os originais, pelo menos os vivos (sim Finn, estou falando de você). Klaus dá uma nova roupagem ao personagem, sendo o pai amoroso que a filha necessita, tentando esconder ao máximo o lado monstro que o possui – lado que acaba se personificando em Elijah (Daniel Gillies) – que começa a fazer o trabalho sujo, para que Klaus não ceda – mas com isso acaba afastando Hayley e aqueles que ele ama. Hayley (Phoebe Tonkin), que já faz parte da família, e tem um merecido destaque – assim como Freya (Riley Voelkel), que ganha um interesse amoroso, e torna-se a segunda personagem assumidamente LGBT da série, algo que nunca soa forçado em sua relação com Keelin (Christina Marie Moses).

 

Tendo um início ruim, a série volta a engrenar com presenças maiores de Vicent (Yusuf Gatewood) e Marcel (Charles Michael Davis), dispostos a ajudar na luta contra a Hollow. Até Davina (Danielle Campbell) dá as caras novamente, e apesar de particularmente achar a personagem chata, ela tem uma enorme importância dentro da narrativa, e sua volta não é vã. O crossover com The Vampire Diaries tem a volta de Alaric (Matthew Davis) e é bom saber que ele e Caroline estão bem na escola de sobrenaturais, que terá importância para o futuro da série. Aliás, todo o episódio final tem um tom de despedida, parecendo uma series finale. Acredito que os produtores já tinham gravado os 13 episódios antes de saberem da renovação.

 

 

Toda a ideia e concepção do plano para deter a Hollow, baseia-se no famoso Always and Forever da família Mikaelson, e o roteiro encontra saídas geniais para explorar tal ponto. Acredito que esse episódio é sem dúvida um dos melhores season finale, e entra no hall de melhores da série. Sangrento, tenso, e indo direto ao ponto, toda a execução é primorosa. O trabalho de direção e montagem é propositalmente pensado para causar emoção nos minutos finais, e deixar inúmeras perguntas e até um certo receio do futuro. Agora separada, qual será o fim da família Mikaelson? Todos voltam, ou apenas alguns? Teremos um novo salto temporal, com foco na pequena Hope aprendendo a dominar seus poderes na escola, junto com a gêmeas de TVD? Alaric e Caroline serão personagens regulares?

 

Atropelando alguns pontos importantes para a construção da narrativa, mas desenvolvendo os personagens que aparentavam não ter mais o que mostrar, The Originals precisa começar a pensar em um fim – que pode vir no 5º ano, caso queira terminar bem. Que os produtores saibam fazer uma série de 13 episódios, dividindo bem as tramas, e prendendo a atenção do espectador. Até ano que vem!