AODISSEIA
Filmes

Crítica: A Tartaruga Vermelha

22 de fevereiro de 2017 - 13:02 - Tiago Soares

Quando uma imagem realmente vale mais que qualquer palavra


Indicado ao Oscar de melhor animação, A Tartaruga Vermelha talvez seja o concorrente mais diferente de todos. Mas é um diferente bom, afinal o mesmo foi realizado pelo famoso Estúdio Ghibli, sempre presente na animação, em parceria com o francês Why Not Productions e a distribuidora Wild Bunch. Fato que não é demérito nenhum, pelo contrário: unir forças poderosas da animação como Japão e França se mostrou um acerto e trouxe, na minha opinião, o filme que deveria levar o Oscar.

A produção franco-japonesa conta a história de um náufrago que vai parar numa ilha, e é praticamente devorado por ela e pelo mar, já que toda vez que tenta sair de lá, não consegue. Nisso, acaba conhecendo uma tartaruga vermelha, que muda a sua vida e o seu conceito de realidade. Vale ressaltar que não há diálogos na produção, por isso ela não deve ser para todos os públicos. Mesmo assim, a falta de diálogos é sobreposta por imagens incríveis e uma trilha sonora envolvente.

Falar bem do Estúdio Ghibli – que nos trouxe muitas outras obras-primas – é redundante, mas o mérito não pode ficar apenas com o estúdio japonês, já que a co-produção francesa é essencial pra esse trabalho. A animação simplista dos personagens e todas as suas sensibilidades sem falas é uma das fortes características do Ghibli, mas o visual do mar, as mudanças de tom fazendo com que cada cena parece um quadro é um mérito da Why Not Productions.

A fotografia é belíssima tendo três momentos distintos: de dia com cores fortes, ressaltando o mar e as árvores; sendo mais convencional no fim da tarde com a beleza do pôr do sol, ficando amarelada; e a parte mais bonita, a noite, cinzenta. Algo refletido até na pele, cabelos e aparência dos personagens. Michael Dudok de Wit em seu filme de estreia, em parceria com o produtor artístico Isao Takahata (Túmulo dos Vagalumes) fazem um trabalho excelente ao casar o visual magnífico com a trilha sonora orquestral, clássica, remetendo a tempos primórdios.

A história é linda, mas como dito, pode não agradar a todos, já que a falta de diálogos pode cansar alguns e fazer o ritmo do filme parecer lento apesar de apenas 80 minutos de duração. Além disso a história mantém os pés no chão apenas nos minutos oficias, indo para o fantasioso em poucos minutos. Fantasioso para nós, o que não parece o mesmo na realidade do filme, já que todos parecem aceitar bem o que acontece ao redor. A necessidade de renascimento, após um conflito no último ato, parece normal e não cria muito destaque, culminando na cena seguinte: uma libertação, que apesar de clichê se torna necessária para concluir uma saga que promete emocionar muitos.

Unindo beleza, identificação, profundidade e imersão, A Tartaruga Vermelha é um presente tão forte como a força da natureza que retrata, passando inúmeras mensagens, sendo a mais importante delas aquela com que você mais se identifica. Assista e entenda do seu jeito.