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Critica: Star Wars – O Despertar da Força

18 de dezembro de 2015 - 11:00 - Flávio Pizzol

O despertar de uma nova franquia

Depois de uma longa espera, Star Wars entrega a continuação que os fãs sempre sonharam e abre um novo caminho baseado no equilíbrio entre novos e velhos personagens, humor e tensão e computação gráfica e efeitos práticos.

Se é que alguém não sabe a história desse capítulo, o filme volta para nossa tão querida galáxia após 30 anos e se depara com um Luke desaparecido, um Han Solo de volta às suas origens e uma General Léia decidida a encontrar o seu irmão. Para isso, ela envia seu melhor piloto em uma perigosa missão que vai acabar esbarrando com um stormtrooper confuso e uma catadora de lixo em busca do seu passado.

É justamente nesse encontro de gerações que está a grande força desse filme, já que o roteiro, escrito por Lawrence Kasdan, JJ Abrams e Michael Arndt, sabe balancear a função dessas duas partes sem deixar que tudo se torne apenas uma passagem de bastão ou apenas um fan service. Han Solo, Léia, Luke e Chewbacca estão no filme porque são importantes para o desenrolar da trama e, aparentemente, continuarão sendo por toda essa trilogia.

Ao mesmo tempo, o roteiro abre muito espaço para apresentar um trio de protagonistas que, ao lado do melhor dróide da saga, tem carisma, boas conexões dentro do universo e, principalmente, química entre si. Inclusive, eu acho que as cenas em que eles contracenam deixam claro esse grupo tem total capacidade de segurar os próximos capítulos e, quem sabe, as próximas trilogias.

Infelizmente, os vilões acabam sendo um elo fraco, porque ainda não conseguem mostrar toda a força que os heróis apresentam. Claro que eles não são personagens ruins e provavelmente vão evoluir muito no decorrer dessa história, mas eu fiquei um pouco incomodado com a presença mal explicada da Primeira Ordem, com a Capitã Phasma entrando muda e saindo calada e com o fato do tão comentado Kylo Ren precisar tomar atitudes mais drásticas para alcançar uma mínima parte daquele impacto que Darth Vader já possui desde a primeira cena.

No entanto, o roteiro não para por aí e também acerta em cheio na maneira como atualiza a franquia sem perder o respeito pelo que já foi feito anteriormente. É óbvio que o filme não funcionaria se tivesse o ritmo e a quantidade de ação que A Nova Esperança teve lá em 1977, então é justo e muito interessante ver aquele bom e velho espírito de Star Wars ser adaptado com um tom diferente, que aposta em doses mais frequentes de humor sem deixar que essas piadas atrapalhem as cenas de ação ou de tensão.

E são algumas dessas cenas que demonstram que JJ Abrams é um verdadeiro fã da franquia e, principalmente, é um diretor muito mais capacitado e talentoso do que o nosso querido Tio George. Cada ângulo escolhido e cada movimento de câmera orquestrado por ele possui alguma referência implícita aos outros longas, entretanto isso não impede que JJ se solte e trabalhe algumas ideias e conceitos próprios ao lado de trabalhos perfeitos de fotografia, edição e som, incluindo a fantástica trilha sonora do mestre John Williams.

Tudo isso permite que ele consiga ditar um ritmo mais rápido para o desenvolvimento da história, brincar com uma mistura perfeita entre computação gráfica e efeitos práticos e ainda acabar com aqueles diálogos cafonas que permeavam todas as cenas emotivas dirigidas por George Lucas. E esse bom trabalho como diretor fica mais do que claro em pelo menos duas cenas que surpreendem e emocionam usando poucas palavras e quase nenhum efeito especial.

E para completar a festa, ele ainda fez um trabalho muito interessante de escalação de elenco e mostrou que também é um bom diretor de atores. Harrison Ford parece estar mais confortável do que nunca com o seu personagem e empolga o público com muito carisma, enquanto os novatos Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac cumprem suas funções com louvor, mandando no filme e conquistando até os fãs mais fervorosos em momentos que se dividem entre bons alívios cômicos, atitudes fortes e atos de heroísmo.

Já o lado negro ganhando menos destaque em relação ao elenco, porque os ótimos Domhnall Gleeson e Andy Serkis fazem muito pouco por agora. Mas, mesmo assim, Adam Driver faz o seu trabalho de maneira correta, apresentando um Kylo Ren fraco e cheio de conflitos que vai crescendo no decorrer do filme. Seus poderes são muito bons e suas cenas no clímax tem o verdadeiro espírito da trilogia clássica, logo estou ansioso para sua transformação no verdadeiro vilão.

No fim das contas, o filme consegue acabar com a ansiedade de uma grande quantidade de fãs e entrega um filmaço, que acerta principalmente na união entre uma direção respeitosa, um suporte técnico incrível e um roteiro surpreendente bem-humorado. É verdade que os moldes da história é basicamente retirado do Capítulo IV, mas o Despertar da Força vai um pouco além e apresenta um começo grandioso para um nova franquia que promete melhorar cada vez mais.

OBS 1: Muito obrigado, JJ Abrams!!

OBS 2: O BB8 é o melhor personagem do filme e eu nunca vou me cansar disso, porque seu bom-humor e suas funcionalidades preenchem com perfeição a trama.

OBS 3: A Rey também uma personagem incrível que evolui de maneira espetacular e ainda ganha pontos por reafirmar o valor das mulheres dentro do universo de Star Wars.

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