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Filmes

Critica: Spotlight – Segredos Revelados

26 de Janeiro de 2016 - 10:21 - Flávio Pizzol

Um novo clássico para o jornalismo.


20104185723_0ca6c3e963_oMuitos filmes já se tornaram clássicos em toda a história, mas não existe uma fórmula para alcançar essa denominação. Spotlight (e seu subtítulo desnecessário) mostra que o primeiro passo é fazer tudo certo, mesmo que não se arrisque a ser diferente de outros longas do gênero.

O longa conta a história real do grupo de jornalistas especializados em longas pesquisas do Boston Globe que descobriu e enfrentou todas as adversidades para poder escancarar um grande escândalo envolvendo o abuso de menores, padres e o poder da Igreja Católica como instituição secular.

Esse é o ponto de partida para o filme fazer tudo da maneira mais correta possível, começando por um ótimo roteiro. O texto, escrito por Josh Singer e Tom McCarthy, se torna o grande destaque desse conjunto, principalmente por decidir contar a história sem os excessos ou rodeios que poderiam queimá-la completamente. Os temas tratados são muito complexos, a história é pesada e a dupla de roteiristas abre mão de reviravoltas surpreendentes ou coelhos tirados da cartola para deixar que o próprio conteúdo choque o público com total eficiência.

Outra coisa muito interessante (que ajuda a dar contornos ainda mais jornalísticos para a história) é que eles não assumem nenhum lado como o perfeito e também fazem uma importante separação entre a fé católica e a instituição da igreja que já comete grandes erros há muito tempo. Isso permite que as críticas feitas tenham peso e causem indignação sem que possam ser usado como alimento para ataques de ódio, já que esses erros foram cometidos por humanos e precisam ser apresentados para todas as pessoas, independente da religião.

Dentro desse contexto, o roteiro ainda sabe dar espaço para as suas estrelas brilharem sem que alguma delas seja a verdadeira protagonista da história, corroborando a indicação de todos os membros como coadjuvantes no Oscar. A verdadeira força do elenco está em como esse grupo se encaixa com perfeição e carrega as duas horas de longa nas costas, principalmente o quarteto formado por Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams e Brian D’Arcy James. No entanto, seria injusto não citar Liev Schreiber, John Slattery e Stanley Tucci, já que eles fazem trabalhos perfeitos em suas aparições mais pontuais.

E toda essa dinâmica é conduzida com simplicidade por Tom McCarthy, que pode ser mais conhecido pelo seu trabalho como ator ou roteirista. Eu não posso negar que esse é o elo mais fraco do longa e que a direção poderia ter tentado ser um pouco mais inovadora, mas seria errado dizer que isso atrapalha o filme quando McCarthy cumpre o que promete e entrega seu melhor trabalho atrás das câmeras desde o pouco conhecido O Agente da Estação, de 2003.

Dito isso tudo, volto a afirmar que o conjunto da obra é praticamente perfeito. Talvez o filme realmente peque por ser muito parecido com os outros longas que tratam de grandes casos jornalísticos ou acabe sendo um pouco mais arrastado do que a maior parte do público está acostumado, entretanto isso não me incomodou em nenhum momento. Eu realmente acho que Spotlight é um novo clássico dentro desse subgênero e tem tudo que precisa para se tornar parte obrigatória dentro das faculdades de jornalismo.


OBS: Mark Ruffalo chama atenção por ser o personagem mais explosivo do longa, mas o meu favorito é o ator Michael Keaton. Eu realmente acho que ele foi esnobado no Oscar.


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