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Filmes

Crítica: Rush – No Limite da Emoção (2013)

2 de Janeiro de 2014 - 23:25 - Flávio Pizzol

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“Rush – No limite da Emoção” é um filme poderoso guiado pela rivalidade e obsessão de dois pilotos e recheado de emoção e adrenalina. Um filme que recria uma história real impressionante de maneira ambiciosa, brilhante e merecida.

Rush é baseado na história da intensa rivalidade entre dois pilotos de Fórmula 1, James Hunt e Niki Lauda, em uma época onde o esporte era extremamente perigoso. Uma época em que o piloto entrava nas pistas sem saber se sairia vivo.

Hunt e Lauda tem características completamente opostas. Hunt era irresponsável e farrista fora das pistas e extremamente agressivo dentro delas. Já Lauda era pragmático, disciplinado e meticuloso e baseava sus corridas em movimentos precisos, quase cirúrgicos.

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O roteiro, escrito por Peter Morgan (A Rainha) é muito bem construído, dando espaço para que os dois personagens se desenvolvam e cresçam dentro da história. Esse fator humano dá um toque especial à história, já que ambos os personagens conseguem conquistar o público, mesmo que de maneiras distintas.

Os dois são mostrados como rivais e nada além disso. Nenhum deles é herói ou vilão, tanto que em certos momentos torcemos por Lauda e em outros por Hunt. Eles nutrem uma rivalidade intensa, mas respeitosa e importante para os dois. É uma rivalidade que os faz querer ir mais longe e se superar a cada curva.

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Os diálogos entre os dois corredores são espetaculares e ajudam a recriar a personalidade de cada um, assim como a recriação das entrevistas coletivas, que chegam a ser engraçadas.

O roteiro também dá a importância necessária ao esporte em si. A Fórmula 1 tem suas características de época recriadas com muitos detalhes, transportando o espectador para a época e para as corridas. A obsessão de todos os corredores pela vitória (ainda que o filme se concentre em Lauda e Hunt), a falta de segurança e a influência da economia no esporte ganham destaque e enriquecem o filme.

A direção de Ron Howard (conhecido por filmes baseados em fatos reais, como Uma Mente Brilhante, Uma Luta pela Esperança e Apollo 13) é extremamente segura e eficiente. O diretor se mostra mais ambicioso do que nunca e aproveita tudo o que tem em mãos para contar a história de Lauda e Hunt.

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Howard filma as corridas com uma intensidade nunca vista, dando uma carga extra de adrenalina ao filme. Acompanhado por efeitos espetaculares, Ron mostra o que era uma corrida na década de 70, fazendo público enlouquecer e sentir na pele a velocidade, o perigo e emoção das corridas.

E não é só nas corridas que Howard mostra sua competência. A força da rivalidade e da obsessão de Lauda e Hunt é recriada de maneira intensa e forte. O desenvolvimento da personalidade dos dois é feita de maneira simples e exuberante, através de movimentos diferenciados e de uma direção de arte sublime (a recriação da época e dos carros é impactante).

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Howard também marca presença, quando o filme precisa de uma direção segura e mais emocional. As cenas que acompanham o acidente de Lauda e sua recuperação são extremamente tocantes e emocionantes, sendo retratados de maneira crua e chocante. O dialogo final entre os dois rivais e o monólogo narrado por Lauda antes dos créditos também são impressionantes.

Além dos efeitos e da direção de arte, Howard conta com uma belissíma fotografia de Anthony Dod Mantle (colaborador antigo de Danny Boyle, que venceu o Oscar por Quem quer Ser um Milionário?), que dá um aspecto granulado de filmagens da década de 70 ao filme, com uma edição sensacional de Daniel P. Hanley (colaborador de Howard) e com um som poderoso (tanto os efeitos sonoros, quanto a trilha sonora de Hans Zimmer) que acompanha o filme nos seus momentos aventurescos e emocionantes.

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Chris Hemsworth (o Thor) tem em James Hunt seu melhor papel. Ainda que o papel não seja extremamente complexo, é perceptível que Chris mergulhou de cabeça no personagem para dar vida com perfeição ao lado mais tresloucado de Hunt, sem se esquecer dos momentos mais íntimos, que expõe a verdadeira face do personagem.

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O austríaco tricampeão mundial Niki Lauda é interpretado por um majestoso Daniel Brühl (Adeus Lênin, Bastardos Inglórios e O Quinto Poder). Brühl incorpora Lauda de uma maneira mais do que espetacular. O jeito frio, sério e obsessivo do corredor é retratado com detalhes. Para auxiliá-lo, Brühl conta com uma maquiagem exemplar, sejam nos dentes postiços semelhantes ao de Lauda ou na recriação de seu rosto pós-acidente.

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Dentro do elenco coadjuvante, posso destacar a bela Olivia Wilde e a romena Alexandra Maria Lara, que faz a mulher de Lauda. Sua personagem vai ganhando importância no decorrer da história, enquanto vai contrastando com a personalidade de Lauda e quebrando o jeito frio do corredor.

Um filme de esporte empolgante e ambicioso. Uma representação espetacular da violenta Fórmula 1 da década de 70. Um recriação emocionante e belíssima de uma rivalidade que foi além do esporte. Um filme que merece ser assistido e vibrado pelos amantes do esporte e pelos amantes do bom cinema.

OBS 1: Sou obrigado a admitir que vibrei em diversos momentos do filme.

OBS 2: Uma foto dos verdadeiros James Hunt e Niki Lauda.

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