Critica: Planeta dos Macacos – O Confronto

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Seguindo os moldes de Como Treinar seu Dragão 2, O Confronto é mais uma continuação que se liberta das amarras, supera seu antecessor (e olha que eu gosto muito de A Origem) e é um sério candidato ao posto de melhor filme do ano. Claro que ainda temos muita coisa pela frente, mas a mistura de drama, ficção científica e pancadaria é um espetáculo que merece ser visto.

O filme começa basicamente de onde parou o primeiro filme com uma edição explicando como o planeta foi devastado pelo vírus criado em A Origem. Dez anos depois, os macacos vivem na floresta em uma sociedade relativamente avançada, enquanto os humanos vivem acuados do outro lado da ponte. O encontro entre esses dois mundos acontece quando um grupo, liderado por Malcolm, vai até a morada dos símios para tentar religar uma hidrelétrica. Como o próprio subtítulo brasileiro deixa claro, isso vai gerar um confronto, uma guerra entre as espécies.

O principal desafio dos roteiristas Rick Jaffa, Amanda Silver (do primeiro longa) e Mark Bomback é não deixar tudo muito óbvio. O final já é conhecido não só por conta do subtítulo, como também pela aproximação da história original. Enquanto o primeiro tinha um ar mais original, aqui já podemos começar a perceber um afunilamento que vai levar diretamente ao mundo dominado pelos macacos do filme de 1968.

Mas para uma dupla quase novata que não se sentiu acuada quando fez o primeiro filme e mexeu na história de um grande clássico do cinema, esse desafio não deveria dar tanto medo. E posso garantir que eles não demonstram tal preocupação e, mesmo tendo um final conhecido, criam uma história que prende o espectador em suas duas horas de projeção.

O segredo do bom desenvolvimento do filme é, na minha opinião, o ótimo paralelismo criado entre as sociedades. Ambas tem seus líderes, seus adolescentes, seus pacifistas, seus babacas grosseiros e tudo mais. Ambos também tem seus problemas internos e seus pontos de vistas diferentes que geram alguns vilões. Mas cada espectador pode também seguir um ponto de vista específico e talvez torcer tanto por Koba, quanto por Carver, ainda que Caesar seja a figura mais imponente do filme.

A falta de um vilão clássico gera uma tensão constante nos dois lados, já que o público nunca consegue antecipar o que vai acontecer. E é nesse clima que todo o filme é desenvolvido de um forma lenta e precisa, colocando todas as histórias na mesa para depois brincar com elas em cenas de ações espetaculares. E aí podemos começar a falar da ótima direção de Matt Reeves.

Mesmo não podendo dizer que Rupert Wyatt fez um mau trabalho no primeiro filme, eu gosto muito do trabalho de Reeves em Cloverfield e fiquei feliz com a escolha, ainda que ele não tivesse grandes experiências com efeitos especiais dessa proporção. E realmente isso não foi um problema para o diretor, que ainda conseguiu elevar o nível do que foi feito no primeiro filme.

Pra começar, a grande maioria do filme foi gravada em locações reais com milhares de atores interpretando macacos ao vivo e juntos. Isso, com toda a certeza, foi importante na criação da ambientação, principalmente para a parte do elenco que estava envolvida na captura de movimentos. Também foi essa decisão que permitiu que o diretor conseguisse usar muitos efeitos práticos no meio de tanta coisa computadorizada.

E todos esses efeitos são mágicos e permitiram a criação de cenas grandiosas, cenários completíssimos e momentos recheados com uma violência gráfica impressionante. Mesmo que de forma velada, o público sente o medo e a violência iminente. E isso é feito sem abusar do sangue, que só aparece em momentos realmente importantes. Não posso deixar de dizer que esse estilo me lembrou o que o diretor fez em Cloverfield, já que toda a tensão e a violência eram presenciadas sem que o monstro aparecesse.

Nesse quesito merecem destaque os dois confrontos entre Koba e Caesar e também a ótima cena em que o primeiro finge estar bêbado para matar e roubar as armas de dois homens. E mesmo vendo essas cenas tem gente que duvida da capacidade de atuação de quem está por trás daquelas máscaras de CGI. Claro que muito daquela perfeição vista na tela (como a pelagem dos macacos) ficou por conta da WETA, mas todos os trejeitos vocais, faciais e corporais são de total responsabilidade dos atores.

E assim como destaquei as brigas entre aqueles personagens, também tenho que destacar seus interpretes. Andy Serkis e Toby Kebbell fazem trabalhos primorosos, que se destacam tranquilamente no meio de um elenco tão grande de captura. O primeiro não precisa nem de comentários, porque já é um especialista nessa função e a faz com se seu rosto limpo estivesse ali. Enquanto o outro pode ser considerado uma boa revelação no filme.

E com esses elogios, voltam à tona os defensores de uma indicação os Oscar de Ator para Andy, que é o protagonista isolado do longa, mesmo existindo outros personagens importantes. Mas assim como aconteceu no primeiro longa e no filme “Ela”, com a voz da atriz Scarlett Johansson, a Academia é antiquada e tem muitas dificuldades em premiar alguém que não mostra seu rosto.

Enquanto isso, o lado humano também tem seus bons componentes. Mesmo sem o carisma de James Franco, Jason Clarke consegue, ao lado de Keri Russell e Kodi Smit-McPhee, segurar esse núcleo, já que o veterano Gary Oldman deixa a desejar. Caesar é um líder muito mais imponente e complexo do que o líder dos humanos criado por Oldman.

Embora seja um pouco mais longo do que deveria, o filme nunca fica arrastado ou parado, tendo bons diálogos, bons dramas e, principalmente, boas cenas de ação. Com efeitos perfeitos, ótimo roteiro, atuações intensas e um 3D funcional, O Confronto é muito melhor do que o primeiro, já está na minha lista de melhores do ano e merece ser visto na tela grande.


OBS 1: Só pra deixar um gostinho do processo de captura de movimentos, separei algumas imagens de making of.

 

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