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Critica: Planeta dos Macacos – O Confronto

25 de julho de 2014 - 16:00 - Flávio Pizzol

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Seguindo os moldes de Como Treinar seu Dragão 2, O Confronto é mais uma continuação que se liberta das amarras, supera seu antecessor (e olha que eu gosto muito de A Origem) e é um sério candidato ao posto de melhor filme do ano. Claro que ainda temos muita coisa pela frente, mas a mistura de drama, ficção científica e pancadaria é um espetáculo que merece ser visto.

O filme começa basicamente de onde parou o primeiro filme com uma edição explicando como o planeta foi devastado pelo vírus criado em A Origem. Dez anos depois, os macacos vivem na floresta em uma sociedade relativamente avançada, enquanto os humanos vivem acuados do outro lado da ponte. O encontro entre esses dois mundos acontece quando um grupo, liderado por Malcolm, vai até a morada dos símios para tentar religar uma hidrelétrica. Como o próprio subtítulo brasileiro deixa claro, isso vai gerar um confronto, uma guerra entre as espécies.

E o principal desafio dos roteiristas Rick Jaffa, Amanda Silver (do primeiro longa) e Mark Bomback é não deixar tudo muito óbvio. O final já é conhecido não só por conta do subtítulo, como também pela aproximação da história original. Enquanto o primeiro tinha um ar mais original, aqui já podemos começar a perceber um afunilamento que vai levar diretamente ao mundo dominado pelos macacos do filme de 1968.

Mas para uma dupla quase novata que não se sentiu acuada quando fez o primeiro filme e mexeu na história de um grande clássico do cinema, esse desafio não deveria dar tanto medo. E posso garantir que eles não demonstram tal preocupação e, mesmo tendo um final conhecido, criam uma história que prende o espectador em suas duas horas de projeção.

O segredo do bom desenvolvimento do filme é, na minha opinião, o ótimo paralelismo criado entre as sociedades. Ambas tem seus líderes, seus adolescentes, seus pacifistas, seus babacas grosseiros e tudo mais. Ambos também tem seus problemas internos e seus pontos de vistas diferentes que geram alguns vilões. Mas cada espectador pode também seguir um ponto de vista específico e talvez torcer tanto por Koba, quanto por Carver, ainda que Caesar seja a figura mais imponente do filme.

A falta de um vilão clássico gera uma tensão constante nos dois lados, já que o público nunca consegue antecipar o que vai acontecer. E é nesse clima que todo o filme é desenvolvido de um forma lenta e precisa, colocando todas as histórias na mesa para depois brincar com elas em cenas de ações espetaculares. E aí podemos começar a falar da ótima direção de Matt Reeves.

Mesmo não podendo dizer que Rupert Wyatt fez um mau trabalho no primeiro filme, mas eu gosto muito do trabalho de Reeves em Cloverfield e gostei da escolha, ainda que ele não tivesse grandes experiências com efeitos especiais dessa proporção. E realmente isso não foi um problema para o diretor, que ainda conseguiu elevar o nível do que foi feito no primeiro filme.

Pra começar, a grande maioria do filme foi gravada em locações reais com milhares de atores interpretando macacos ao vivo e juntos. Isso, com toda a certeza, foi importante na criação da ambientação, principalmente para a parte do elenco que estava envolvida na captura de movimentos. Também foi essa decisão que permitiu que o diretor conseguisse usar muitos efeitos práticos no meio de tanta coisa computadorizada.

E todos esses efeitos são mágicos e permitiram a criação de cenas grandiosas, cenários completíssimos e momentos recheados com uma violência gráfica impressionante. Mesmo que de forma velada, o público sente o medo e a violência iminente. E isso é feito sem abusar do sangue, que só aparece em momentos realmente importantes. Não posso deixar de dizer que esse estilo me lembrou o que o diretor fez em Cloverfield, já que toda a tensão e a violência eram presenciadas sem que o monstro aparecesse.

Nesse quesito merecem destaque os dois confrontos entre Koba e Caesar e também a ótima cena em que o primeiro finge estar bêbado para matar e roubar as armas de dois homens. E mesmo vendo essas cenas tem gente que duvida da capacidade de atuação de quem está por trás daquelas máscaras de CGI. Claro que muito daquela perfeição vista na tela (como a pelagem dos macacos) ficou por conta da WETA, mas todos os trejeitos vocais, faciais e corporais são de total responsabilidade dos atores.

E assim como destaquei as brigas entre aqueles personagens, também tenho que destacar seus interpretes. Andy Serkis e Toby Kebbell fazem trabalhos primorosos, que se destacam tranquilamente no meio de um elenco tão grande de captura. O primeiro não precisa nem de comentários, porque já é um especialista nessa função e a faz com se seu rosto limpo estivesse ali. Enquanto o outro pode ser considerado uma boa revelação no filme.

E com esses elogios, voltam à tona os defensores de uma indicação os Oscar de Ator para Andy, que é o protagonista isolado do longa, mesmo existindo outros personagens importantes. Mas assim como aconteceu no primeiro longa e no filme “Ela”, com a voz da atriz Scarlett Johansson, a Academia é antiquada e tem muitas dificuldades em premiar alguém que não mostra seu rosto.

Enquanto isso, o lado humano também tem seus bons componentes. Mesmo sem o carisma de James Franco, Jason Clarke consegue, ao lado de Keri Russell e Kodi Smit-McPhee, segurar esse núcleo, já que o veterano Gary Oldman deixa a desejar. Caesar é um líder muito mais imponente e complexo do que o líder dos humanos criado por Oldman.

Embora seja um pouco mais longo do que deveria, o filme nunca fica arrastado ou parado, tendo bons diálogos, bons dramas e, principalmente, boas cenas de ação. Com efeitos perfeitos, ótimo roteiro, atuações intensas e um 3D funcional, O Confronto é muito melhor do que o primeiro, já está na minha lista de melhores do ano e merece ser visto na tela grande.

OBS 1: Só pra deixar um gostinho do processo de captura de movimentos, separei algumas imagens de making of.