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Séries

Crítica: Outcast – 2ª Temporada

Mesmo com ritmo irregular, série ainda é um dos melhores produtos de terror da TV

23 de julho de 2017 - 13:45 - felipehoffmann


 

Na crítica da temporada passada, resolvi acompanhar os quadrinhos ao mesmo tempo em que os episódios iam saindo, tanto para fins de comparação, como de apreciação. Neste ano, resolvi acompanhar apenas a série, mas não deixarei os quadrinhos de lado – o que se vê é que o criador Chris Black decidiu ampliar o mundo de Outcast, saindo do micro (representado pela pequena cidade de Rome), para o macro – mas não em termos necessariamente geográficos, já que não saímos do lugar – mas em questão de expandir a sua história. A 1ª primeira temporada terminou com a tentativa frustrada de Kyle (Patrick Fugit) e Amber (Madeleine McGraw) de sair de Rome, achando que o mal só se limitava a cidadezinha, o que se mostrou um tremendo equívoco logo de cara. Todo o restante dos EUA pelo menos, estava tomado pelas “gosmas pretas“, fazendo com que Kyle e Amber retornem, e sendo um ponto de partida desta temporada. (Este texto terá alguns leves spoilers a partir daqui).

 

Retornando a Rome, Kyle ainda tem o reverendo Anderson (Philip Glenister) ao seu lado, e encontra sua debilitada irmã Megan (Wrenn Schmidt) , que precisa lidar com o desprezo da filha, depois de tudo que aconteceu. Ambas tem a ajuda de Rose (Charmin Lee), esposa do chief Giles (Reg E. Cathey) – os dois estão destemidos, e ganham um arco separado, cercado de tristeza e tensão. Para ajudá-los na jornada, um antigo “farol” (como são chamados aqueles que tem o poder de expulsar as gosmas negras) Bob (M.C. Gainey), se junta à eles. Outcast tem um início bastante morno e confuso, já que muitas informações são simplesmente jogadas na tela – sem que o espectador entenda muito bem. Talvez por isso a FOX tenha disponibilizado todos os 10 episódios da temporada no seus canais Premium, pois semanalmente, assim como acompanhei, não tivemos um início atrativo.

 

 

Mesmo com uma narrativa lenta e sem um ritmo adequado, Outcast teve episódios memoráveis e expandiu muito a sua história, a começar por um grande ritual das gosmas pretas chamado “fusão“. Não se explicou muito no que se consistia isso, mas sabe-se que o mesmo pretendia dominar o mundo com essa força maligna. Para rivalizar com tal obra, o culto do farol também foi introduzido. Pessoas que foram libertadas das gosmas pretas, e viam aqueles que a salvaram como um novo Messias. O grande líder deste movimento é Simon Barnes (C. Thomas Howell), pai de Kyle, que tem como objetivo criar um grande ritual para expulsar de vez o mal do mundo, revelado apenas no apressado último episódio. O reverendo Anderson continua sua saga por um propósito, Megan está grávida, e teme que seu filho seja um espécie de Anticristo, Sidney (Brent Spinertenta sobreviver em um corpo já desgastado, mas continua sendo um vilão ameaçador, mesmo com um fim não tão honrado – dando lugar a um Dr. Park (Hoon Lee) que parece ter muito mais foco que o vilão antecessor – e traz de volta Blake Morrow (Lee Tergesen), muito mais aterrorizante do que na temporada anterior.

 

Tecnicamente, Outcast continua impecável. Um fotografia fria e incômoda até nos dias de Sol, com uma câmera repleta de planos americanos, dão o tom de tensão que a série merece. Uma trilha sonora desesperadora, com bastante notas altas e graves, faz com que a série viva sempre em estado de urgência. Talvez o que incomode mais seja o excesso de câmera invertida – o plano holandês –  que quer sempre mostrar que aquele mundo não está correto, e que nossa protagonista e os que o cercam, não estão bem. Torna-se uma novidade usado de vez em quando, usado sempre, torna-se cansativo. Mesmo assim gosto bastante de como as lutas corporais e perseguições são abordadas na série. Tudo é muito natural, de maneira crua e suja, com coreografias beirando a realidade. Aliás, nesta temporada tivemos o brasileiro Fernando Coimbra (Castelo de Areia) dirigindo o 6º episódio “Fireflies” , um dos melhores da temporada – que ganha uma cara de season finale a partir do episódio 5, e desde então dá um grande salto.

 

 

Recheada de tensão psicológica – ao mesmo tempo em que não economizou nas cenas em que causa mais choque – deixando personagens importantes morreram – a série baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman e Paul Azaceta sofre uma queda, pela falta de propósito e repetições iniciais – conseguindo terminar bem. Apesar de um episódio final que parece feito as pressas, o capítulo consegue fechar algumas pontas, ao mesmo tempo em que abre outras. Não renovada ainda para uma terceira temporada, Outcast precisa apostar naquilo que deu certo – não querer agradar gregos e troianos e não repetir os erros bobos desta temporada – que apesar de tudo – conseguiu se manter como uma das melhores do gênero.