AODISSEIA
Filmes

Crítica: O Estrangeiro

Jackie Chan volta ao cinema de ação com filme maduro.

12 de janeiro de 2018 - 09:20 - Tiago Soares

Desde os trailers, O Estrangeiro parecia trazer um outro lado de Jackie Chan, muito longe dos tempos áureos da carreira do ator, naqueles filmes de ação e comédia da Sessão da Tarde, e nem um pouco de sua derrocada apenas na comédia. O filme parecia mais denso, pesado, evidenciado a idade de um dos maiores expoentes do cinema mundial.

O Estrangeiro é assim mesmo, um filme sério, que sabe o seu lugar e isso não é um demérito. Acompanhamos a filha de Quan (Jackie Chan), que falece em um atentado terrorista cometido por um grupo que se anuncia como “IRA Autêntico”, nova facção do Exército Republicano Irlandês. Notando a demora das autoridades e toda a burocracia da investigação, Quan recorre a Liam Hennessy (Pierce Brosnan), atual político do Reino Unido e ex-integrante do IRA, para que forneça os nomes dos responsáveis a qualquer custo.

A trama – longo nos minutos iniciais – chega ao seu objetivo. Mas sem de fato jogar a ação na nossa cara. Martin Campbell (007 – Cassino Royale) tempera a história mostrando seus vários lados, tornando o filme macro, envolvendo-o em trama política e falando de corrupção. A história principal corre em paralelo, com menos tempo de tela que gostaríamos de ver do nosso protagonista, entretanto sua presença é sentida.

Dar a outros personagens certas subtramas pode tornar o filme meio confuso, já que queremos que o filme volte a Chan toda vez, todavia, notamos que todo o escopo foi necessário. De volta a Chan, o que se vê é um homem cansado e sem esperança, que já teve um passado que gostaria de esquecer, que anda de forma sorrateira e cabisbaixa. Chan entrega uma grande atuação, seja nos momentos mais dramáticos -com um olhar vazio e desolado – seja nas cenas de ação.

Campbell entrega um ótimo trabalho, que apesar de cortes brutos e excesso de planos abertos, encontra seu lugar na realidade. Não omite cenas mais fortes (pós atentado, com direito a muito sangue), e também mostra verossimilhança: Chan bate e apanha de igual modo, mostrando que não está mais no auge. Pierce Brosnan também se destaca, entregando a perfeita persona de um líder irresponsável que precisa fingir, para não mostrar o que verdadeiramente é.

Quando foca na trama principal, O Estrangeiro decola e se mostra um grande filme, quando sai dela perde força, mas ganha em importância, e se torna mais do que um filme de vingança qualquer. Que Jackie Chan esteja de volta em definitivo.