Crítica: O Bom Gigante Amigo

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A amizade é o melhor sonho que alguém pode conquistar.


bfgposterSpielberg sabe como poucos criar um clima e uma estética maravilhosas em seus filmes. O detalhe de cada expressão, a minuciosidade dos elementos, o melhor ângulo para cena. Tudo isso está presente na fantasia de O Bom Gigante Amigo, contudo a magia de uma história infantil apoiada na força da amizade, que o diretor tanto soube fazer, se perde num desenvolvimento enrolado e extenso, cansando adultos e crianças numa sala de cinema.

Sophie (Ruby Barnhill) é uma menininha que sofre de insônia e vive num orfanato em algum lugar de Londres, na década de 80. Sua curiosidade a acompanha a cada passo e a calada da noite é sua melhor amiga. Os bêbados nas ruas perturbam a mudez do ambiente e Sophie, mesmo com medo, tenta abrandar os ruídos, mostrando sua personalidade. A vontade de descobrir algo novo sobrepõe o temor do cotidiano, e a personagem, mesmo se contradizendo em palavras, avista um gigante que tenta se esconder dos humanos.

Ver a figura enorme se esconder de seres insignificantes, por medo da reação dos outros chega até a ser um paradoxo, mas The BFG (título em inglês) não se apega muito a isso e tenta focar a atenção na construção da amizade por meio de situações passadas pelos personagens. O Bom Gigante Amigo (Mark Rylance) é vegetariano, menor que os outros de sua linhagem e seu trabalho é distribuir sonhos às pessoas. Sophie, assim como todos no cinema, estreitam laços com o grande homem. Suas palavras são calmas e atrapalhadas, seus gestos são lentos e seu olhar é sereno, como um avô que já não se preocupa mais em ver o tempo passar.

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Infelizmente, toda a graciosidade de BGA não basta para sustentar uma história que não sabe pra onde vai e se resolve em menos de 15 minutos. Toda a leveza do gigante, que flutua entre as pedras, não é o bastante para desaperceber os problemas com efeitos especiais da interação entre Ruby Barnhill e o chroma key. E nem todos os sons que emanam dos corações ouvidos pelo gigante são capazes de amenizar o incômodo pela insistente trilha sonora, onde os momentos de silêncio são raros e chegam até acalmar quem assiste o filme.

O Bom Gigante Amigo é um frosbulhante de chuchubobrinha. Um filme com bolhas que caem e que é engraçado pelos peidos que causam, parecendo foguetes em lançamento. Entretanto, fica a impressão que BFG poderia cativar muito mais com sua fantasia radiante do que cansar com sua narrativa cômoda e sem brilho.


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One Comments

  • Namari 28 / 05 / 2017 Reply

    Amei esse filme … 😍😍😍

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