Crítica: Mulher Maravilha

, Filmes

Apenas o poder feminino pode salvar o mundo


O filme da Mulher Maravilha era cercado de incertezas. Incertezas de como seria desenvolvido o mais novo título da DC. Seus predecessores não foram lá muito bem recebidos, recheados de decisões erradas, o que fazia pairar um ar de dúvida sobre WW. Depois que um ex-alguma coisa da Warner disse que o filme seria uma bagunça, a desconfiança fez o hype de muitos abaixar. Contudo Patty Jenkins sabia que não podia errar. Sabia que precisava afastar a desconfiança e fazer de Mulher Maravilha o filme que botaria a DC nos trilhos depois de sucessivos erros. E conseguiu.

Mulher Maraviha é o maior título de super-herói feminino da história. Jenkins sabia disso e ela, sendo a primeira mulher a dirigir uma produção do gênero, numa indústria onde mulheres dificilmente conseguem dirigir sucessos estrondosos, foi praticamente precisa na condução do longa. O tradicionalismo do enredo, encaixa um romance clássico, bem humorado e muito harmonioso entre Gal Gadot (BvS) e Cris Pine (Star Trek), dentro de um cenário de guerra cheio de conflitos sexistas e disputas territoriais.

É natural que no meio da realidade da Primeira Guerra Mundial, inserir uma pessoa completamente desligada dos fatos cause um choque de pensamentos. Diana é uma princesa criada em uma ilha de mulheres guerreiras e esse fator é um estimulo para confrontar os absurdos das limitações do papel feminino no mundo e as mazelas kafkianas da Guerra. O filme trata essas questões de forma muito natural, consciente e sem forçar nenhuma situação do gênero. A cena de Diana emergindo das trincheiras e enfrentando a guerra de frente, enquanto os homens a olham, boquiabertos, sem aparente reação, é uma das coisas mais bonitas de Mulher Maravilha. É um tapa na cara de quem acredita que mulher não pode caminhar em terreno que só os homens andam.

Como dito, chama muita atenção a química entre Gadot e Pine. O charme da relação carrega o simbolismo do silêncio e o desconforto de não saber como agir ao lado de quem ama. Os dois personagens, Diana e Steve, são bem desenvolvidos, tendo suas motivações expostas desde o início. Gal Gadot pode não ser a mais incrível das atrizes, mas entrega uma Mulher Maravilha muito poderosa tanto social quanto heroicamente falando. Suas cenas de ação são muito bem coreografadas e passagens mais leves, com a secretária Etta (Lucy Davis – Todo Mundo Quase Morto) mostram uma faceta bem humorada da atriz.

 

Leia mais

Veja o que falamos de Esquadrão Suicida.

Mulher Maravilha já havia feito sua estreia. E foi em grande estilo em Batman vs Superman

 

Contudo, os vilões de Mulher Maravilha não possuem lá tanto carisma. A dificuldade em suas construções não chegam a incomodar tanto, mas uma tentativa frustrada de plot twist e o encontro com Ares destoam do ritmo que o filme vinha pregando. O terceiro ato abusa do CGI e da câmera lenta na luta final, transformando tudo em uma pirotecnia tipicamente hollywoodiana. Jenkins se perdeu na condução final do longa, talvez mais por imposição de terceiros que por ela mesma, todavia, o recado já havia sido dado.

 

Mulher Maravilha é uma obra de empoderamento. Força feminina. Diana não abaixa a cabeça às ordens de homens que se julgam superiores e faz o que acha que deve ser feito para cumprir sua missão. Na minha sessão haviam várias meninas vestidas com a camisa da protagonista. Representatividade, meu caro. Isso é lindo. E por mais que tenha seus defeitos, eles não ofuscam a mensagem que o filme quer passar. Como bem disse nosso Flávio Augusto, é importantíssimo que a primeira mulher heroína da história seja fonte de inspiração para todas as pessoas, a vendo como esperança em meio às trevas. Obrigado por isso, DC.

 


 

 

One Comments

  • Átila 21 / 07 / 2017 Reply

    Super representativo e um ótimo filme, bom demais!

Deixe uma resposta