AODISSEIA
Filmes

Crítica: Max Steel

27 de janeiro de 2017 - 09:11 - Tiago Soares

O filme errado para o personagem errado


Quando criança eu sonhava em ter um boneco Max Steel, mas é claro que o atrativo não era só o brinquedo em si. Grande parte vinha dos comercias bem feitos, que davam voz a Max e seus vilões em batalhas beirando a realidade (para a minha mente infantil claro). Devo ressaltar também que a versão que admirava era a antiga, não essa que chegou aos cinemas agora, que confesso que não conhecia.

Max Steel segue a regra dos filmes de origem de alguns super-heróis: um jovem chega em uma cidade nova após se mudar várias vezes, mora com a mãe já que seu pai faleceu em um acidente misterioso, do nada começa a investigar esse acidente, descobre poderes, conhece uma garota e se interessa, tem medo dos seus poderes no início para depois achar “maneiro” e começa a treinar. Tudo isso sozinho ou com um sidekick engraçadinho, seguido de um vilão genérico e sem motivação nenhuma.

Sim, vocês já ouviu viu esse filme outras vezes, e é justamente essa a história de Max McGrath, só que tudo isso é feito de maneira rasa, com um roteiro piegas e uma edição que dá ritmo ao filme, mas não aquele que o deixa gostoso de assistir, e sim aquele que atropela tudo e não dá espaço para que as coisas façam sentido. Stewart Hendler (Pacto Secreto) dirige de maneira preguiçosa, no automático, tanto nas cenas de ação, como nas de interação de personagens. A única qualidade técnica da produção é a fotografia amarelada e granulada de Brett Pawlak, apesar da falta de foco ser o problema algumas vezes.

O protagonista também não é carismático e Ben Winchell até se esforça (mas não é um bom ator) e o mesmo pode se dizer de seu romance com Ana Villafañe. Grande parte dessa culpa vem do roteiro de Christopher Yost (Thor: O Mundo Sombrio) que deixa os atores sem graça e desconfortáveis, já que cada frase feita é seguida de um silêncio constrangedor. Me pergunto o que os veteranos Andy Garcia  (que assim que entra na produção, fica bem claro seu papel) e a excelente Maria Bello fazem nessa produção, aliás a melhor coisa do filme são os dois, seja atuando juntos ou não. O sidekick Steel, que tem a voz de Josh Brener até tenta ser carismático, e tem uma pegada C-3PO, mas falha miseravelmente.

Os efeitos de CGI, tanto dos poderes como da armadura de Max, são bem duvidosos e todo o orçamento parece ter sido gasto no robozinho Steel. As cenas de luta são mal coreografadas, e em alguns momentos é até perceptível ver os dublês. Na verdade, os primeiros posteres da produção já anunciavam a catástrofe visual que esse filme seria.

Talvez se tivesse focado na versão antiga de Max Steel, teríamos um filme trash de ação com capacidade de se tornar cult em um futuro distante. Ao apostar na versão nova, a Mattel (empresa criadora do brinquedo e uma das produtoras do longa) despreza os fãs do produto clássico e realiza um filme esquecível e não recomendável. Se você é fã das antigas de Max Steel, indico que reveja os comercias criativos, são bem melhores.