AODISSEIA
Filmes

Crítica: Loving

16 de Fevereiro de 2017 - 09:00 - Tiago Soares

O direito do conformismo


E o Oscar nos apresenta mais um filme que toca no tema da segregação racial. Em tempos de #OscarSoWhite é extremamente importante trabalhar o assunto, mas a grande diferença deste filme para Estrelas Além do Tempo é a forma como essa segregação é abordada.  Se no segundo, víamos essa separação apenas sugerida e muitas vezes aliviada por atitude de algum personagem branco, aqui ela é sentida em todo seu sofrimento, já que é inadmissível o direito máximo do casamento ser proibido por uma questão de raça, cor ou credo.

Loving conta a história do casal Richard e Mildred Loving, que se casam após estarem muito apaixonados. Ele branco e ela negra não sabem que o Estado da Virgínia proíbe o casamento inter-racial, fazendo com que ambos passem por uma série de infortúnios, constrangimentos e problemas com a lei.

A grande questão do longa está na linha tênue de apenas tentar ser feliz e ter o direito de viver sua vida ou usar esse ultraje para lutar por outros casais, que venham a seguir e desejem o mesmo. Richard não parece se importar, e isso é o que causa o maior estranhamento. É um homem que comprou seu terreno para construir a casa de sua família, e estar perto deles é o mínimo que ele deseja, algo fora dessa realidade parece inconcebível.

Joel Edgerton entrega umas das melhores atuações de sua carreira cada dia mais promissora, fazendo um homem abatido, cansado e bastante conformado, querendo apenas ser feliz ao lado da mulher e dos filhos, enquanto Ruth Negga (com sua indicação muito merecida) consegue ser a força motriz, a contramão de tudo que Richard pensa. Na segunda metade da produção, ela toma conta do filme e se sobressai ao parceiro, sendo aquela que luta pela causa.

Depois do bom Midnight Special, Jeff Nichols mostra versatilidade, sempre trabalhando com figurinhas carimbadas como o já citado Joel e Michael Shannon, também dá o ar de sua graça em uma pequena participação. Uma coisa é certa: Jeff sabe dirigir e  já faz parte de uma das melhores safras de Hollywood. O jovem diretor faz com que Loving levante algumas bandeiras, mas de forma sutil e não convencional.

Aliás, todo o debate político e jurídico está em segundo plano e o que importa aqui é o debate humano que permeia todo o caso. Ficam de lado, advogados, juízes, policiais e entra o debate sobre o ser humano igualitário. Loving se torno bonito nessa questão e consegue transmitir isso através de uma simples foto cheia de significado.