AODISSEIA
Filmes

Crítica: Invocação do Mal 2

12 de junho de 2016 - 12:42 - Tiago Soares

No mesmo nível de seu antecessor, filme comprova que James Wan é um dos melhores diretores da atualidade.


conjuringpostersmallJames Wan é um nome que você verá muitas vezes figurando no cinema. Já citado na nossa lista (13 filmes para assistir numa sexta-feira 13), o diretor veio com este filme depois de Velozes e Furiosos 7 e ainda terá Aquaman em seguida, Wan revela-se um cineasta que caminha em várias vertentes, e o mais importante é que ele tem assinatura. Hoje é fácil dizer: Esse é um filme de James Wan.

Invocação do Mal (2013), arrebatou público e crítica, os planos sequências, as viradas de câmera, a trilha sonora.  O terror há algum tempo não tinha ares de clássico. Causando medo (não entenda como susto) e dando profundidade ao lugar em que se passava. Desta vez, baseada no caso do Poltergeist de Enfield na Inglaterra, registrado no final da década de 1970, acompanhamos a história de Janet e sua família, que vivem assombradas por espíritos malignos em sua casa, apesar dos eventos aparentemente inexplicáveis, a maior parte dos investigadores paranormais consideram que as irmãs queriam pregar uma peça e simularam tudo.

Paralelamente a ela temos o casal Ed E Lorraine Warren, que vive um drama com a morte iminente de Ed, que sofre constantes ameaças de um demônio. É impressionante a mudança de clima, nos EUA com o casal Warren, é como se víssemos um filme mais leve, fotografia mais clara, com tons amarelos, que vão se tornando alaranjados e mais escuros, a cada hora que passa, transmitindo todo o sofrimento de Lorraine (a incrível Vera Farmiga). Na Inglaterra o clima é denso, a ambientação nos transporta aos anos 70. O figurino, a fotografia nebulosa e a direção de arte impecável, deve ser aplaudida pelo cuidado com detalhes. O sotaque britânico sofisticado causa empatia logo de cara ao acompanhar a história da família, além da mãe divorciada que passa por dificuldades, e a constante luta de Janet por ninguém acreditar nela.

maxresdefault (1)

A jovem atriz britânica é a grata surpresa do filme.  Praticamente desconhecida, Madison Wolfe entrega uma atuação poderosa, e causa um sentimento de compaixão a cada frase, a cada olhar, fiquem de olho nesta moça. Ok, mas, e o terror? Já mostrados no trailer, o velho Bill, principal antagonista aparentemente nos mostra um terror mais sutil, o da sugestão, utiliza-se muitos movimentos de câmera ofuscando rostos e situações, dando margem a imaginação. A Freira (da cena do espelho, mostrada no trailer e no filme inicialmente), tem um terror de jumpscare com trilha impactante, e o Homem Torto não mostrado antes, traz uma técnica diferente, que impressiona, mas também dá bons sustos.

Para apaziguar os momentos tensos, Wan nos apresenta um lado mais família, uma dramaturgia nunca vista antes no terror. Vê Ed (Patrick Wilson) cantando “Can´t Help Falling In Love” de Elvis Presley, e numa cena posterior, uma tomada triste ao som de “I Started A Joke” dos Bee Gees, ambas soando de forma emocionante, nos levam às lágrimas. Trilha sonora essa, escolhida a dedo, fugindo muito da previsibilidade.

invoca

Aliás, Wan não é nada previsível justamente nas cenas de susto. A câmera fica em algo, que posteriormente nota-se que não é nada, e quando volta para o lugar, realmente não era. Para nos pegar de surpresa em algo que não notamos. É importante inclusive, notar os detalhes que Wan deixa durante o filme. São pistas sucintas do que vem a seguir e do que já aconteceu. É excelente ver que o diretor abraça o terror como um filho adolescente, que ainda vai evoluir e insere uma sucessão de sentimentos e gêneros em um mesmo filme.

Talvez você não considere nada novo no roteiro assinado por Wan, David Leslie Johnson, Carey e Chad Hayes. Apesar de poucas coisas realmente originais, o filme usa muitos clichês do gênero, é como se Wan se auto plagiasse. A maioria das coisas foi aprimorada por ele ou criada pelo mesmo. Ao mesmo tempo, apresentar uma outra história e mostrar uma evolução de personagens, faz do diretor um “faz tudo”. É um cartão de visitas necessário, caso você não conheço esse senhor, e se conhecer, vá conferir este filme pois não vai se arrepender.


Obs: Fique pelo menos um pouco dos créditos finais, assim como no primeiro, conhecemos um pouco sobre a história original.


odisseia-06