AODISSEIA
Filmes

Critica: Guardiões da Galáxia

1 de agosto de 2014 - 16:00 - Flávio Pizzol

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Ainda que o melhor filme do ano, até o momento, seja Planeta dos Macacos – O Confronto, o filme mais esperado por mim era Guardiões da Galáxia. Cada trailer, notícia ou música liberada aumentava minha expectativa e posso dizer que fui recompensado com aquele que deve ser o  filme mais ousado e nonsense da Marvel. Afinal, tá pra nascer algo mais irado e sem noção que um guaxinim com uma metralhadora.

O longa segue Peter Quill, um garoto humano que é abduzido no dia da morte de sua mãe em 1988. 26 anos depois, ele é um ladrão que usa o codinome de Star Lord. Sua vida começa a mudar quando sua vida cruza com uma esfera e , posteriormente, com outras criaturas que só ligam para seu próprio ego. Se a união dele com Gamora, Drax, Rocket e Groot começa sendo baseada estritamente na ganância, eles acabam descobrindo uma amizade e um heroísmo que os transformam nos Guardiões da Galáxia.

Essa seria uma clássica história de origem do estúdio, se esse grupo não fosse completamente desconhecido do grande público.Se o Homem de Ferro era considerado um personagem de 2º escalão antes de estourar nos cinemas com Robert Downey Jr. e Jon Favreau, os Guardiões são um grupo do 4º escalão. E pra piorar, ao contrário dos Vingadores, nenhum deles teve um filme de origem ou uma ponta em outra história antes desse longa. É, basicamente, por isso que esse é o filme mais ousado e complexo da Marvel até agora.

Tente imaginar em quão difícil deve ser apresentar cinco personagens, desenvolvê-los de maneira razoável e ainda criar ação, tensão e diversão para prender um público exigente. Tarefa que o diretor e roteirista James Gunn assume com destreza similar ao diretor Joss Whedon. Continuando com os paralelos entre os grupos, se Joss foi elogiado por dar o espaço perfeito para cada um dos Vingadores, Gunn merece ainda mais aplausos, já que ainda cria um filme fora de qualquer padrão.

A primeira coisa que eu gostaria de separar é o aspecto de filmes de anos 70/80 presente tanto no roteiro, quanto na direção. É praticamente impossível não fazer relações entre Guardiões da Galáxia e os filmes de aventura que marcaram aquela década, como Star Wars e Indiana Jones. O desenvolvimento da história, as personalidades dos heróis e as cenas de ação lembram muito os filmes que devem ter acompanhado a infância de James Gunn. Durante todo o tempo, eu tive a impressão de que ele estava fazendo o filme que ele queria ver, sabendo que todo mundo também ia querer.

Essa época também marca presença na espetacular trilha sonora formada por clássicos da época. Usando uma fita dada pela mãe de Quill como fio condutor da trama, todas as cenas são acompanhadas por músicas de David Bowie, Blue Swede, Jackson 5 e Marvin Gaye. E o mais legal é que as músicas são realmente importantes para o filme, com destaque para a fuga da prisão e o clímax, onde Peter chega a dançar na frente do vilão Ronan.

Essa última cena dá uma ótima ideia do outro diferencial do filme. Guardiões da Galáxia não se leva a sério em nenhum momento e piadas hilárias aparecem durante todo o tempo, principalmente os que envolvem Peter, Rocket e, surpreendentemente, Drax. Tiradas pontuais que vão de ótimas referências culturais (a história de Footloose também tem importância em certo ponto do filme) até os momentos de puro sarcasmo proferidos pelo guaxinim. Isso sem falar das piadas sujas e do nonsense que toma conta do filme do início até a surtada e aleatória cena pós-créditos.

Toda essa mistureba ainda me fez lembrar dos filmes B. Esse gênero quase específico, do qual o próprio James Gunn já fez parte no início da sua curta carreira, é baseado em roteiro simples, recheados de clichês e que não se levam a sério. Entretanto, uma diferença fica clara aqui, já que agora o diretor tem dinheiro para comandar uma grande produção. Logicamente, aqui ele tem liberdade para fazer cenas mais complexas e recheadas de efeitos especiais, mas, ao mesmo tempo, Gunn continua usando muitos efeitos práticos e maquiagem da maneira como fazia nos filmes trash.

Um filme que tem boa parte dessas características é Os Mercenários. Eu fiz essa relação no início do longa e cheguei a pensar que”Guardiões seria o Mercenários da Marvel, só que sem os grandes astros”. De fato, o elenco principal não tem grandes nomes dos filmes de ação, mas eu não trocaria nenhum desses por qualquer outro ator. Assim como Downey Jr. se encaixou em Homem de Ferro, todo o elenco funciona perfeitamente em seus papéis. Na verdade, eles são a grande força do filme.

Chris Pratt (Uma Aventura Lego e a série Parks and Recreation) é comediante de nascença e demonstra ter um timing cômico preciso no papel de Star Lord. Isso sem contar que ele treinou, emagreceu e se preparou para funcionar tão bem assim nas cenas de ação bem coreografadas. No fim das contas, é impossível não torcer pelo personagem. Zoe Saldana (Avatar e Star Trek) e Dave Bautista (ex-lutador) são os responsáveis pela maior parte do quebra pau no filme. Mesmo estando ali para a ação, ambos são bem desenvolvidos e tem seus momentos de comédia. Principalmente Drax, que arranca risadas do público com seu vocabulário rebuscado e sua dificuldade de entender metáforas.

Entretanto, os melhores personagens são os computadorizados Rocket Racoon e Groot (o Han Solo e o Chewbacca). Os efeitos são ótimos e bem realistas, mas as almas  deles são as vozes emprestadas, respectivamente, por Bradley Cooper e Vin Diesel. O primeiro está perfeito como o desbocado e piadista guaxinim, enquanto o outro surpreende ao divertir e emocionar o público com uma única frase.

Se todos os heróis são cativantes e bem desenvolvidos, não posso falar o mesmo dos coadjuvantes. Mesmo contando com atores de calibre, como Benicio Del Toro, John C. Reilly e Glenn Close, esses personagens são fracos e aparecem pouco. O único que se salva é o vilão Ronan com suas motivações simples, repetitivas e funcionais. A única coisa boa é que esses outro coadjuvantes devem ganhar mais espaço nos próximos filmes do grupo espacial.

Sem mais delongas, Guardiões da Galáxia comprova que é possível fazer um filme divertido sem deixar de lado o roteiro, os personagens e outras coisas importantes. Pode não ter muito conteúdo ou críticas, como Capitão América 2, mas é diversão certa pra qualquer indivíduo. É um filme simples, mas é completo. Parabéns mais uma vez, Marvel!!

OBS 1: Kevin Bacon é o verdadeiro herói.

OBS 2: I am Groot!!!!

OBS 3: Saiu um vídeo com a gravação de Vin Diesel. Ele fala a frase em diversas tonalidades e em diversas línguas, inclusive português.

OBS 4: Baixando a trilha sonora em 3,2,1…

OBS 5: Não é o melhor filme do ano, mas é o mais divertido. Eu quero ver de novo.