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Filmes

Critica: Frozen – Uma Aventura Congelante

19 de março de 2014 - 17:54 - Flávio Pizzol

 

Demorei para assistir esse filme por causa do ridículo sub-título. Pode não ser a coisa certa, mas eu fiquei com preconceito do filme por causa do nome brasileiro da animação. Mas, felizmente, o filme não merece ser julgado dessa maneira, por que é interessante, divertido e muito bem produzido.

O roteiro de Jennifer Lee, que também co-dirige este filme e escreveu o ótimo Detona Ralph, é levemente baseado no conto “A Rainha da Neve”, de Hans Christian Andersen e conta a história Elsa, uma princesa que tem o poder de produzir gelo, sendo isso uma grande diversão até que sua irmã quase morre e ela é trancafiada para aprender a controlar seus poderes. O tempo passa e o filme realmente começa quando Elsa vai ser coroada e seus poderes são descobertos. Ela foge e cabe a sua irmã entrar em uma grande aventura para salvar a irmã e o reino.

Contada dessa maneira, a história parece ser mais clichê do que efetivamente é. Temos os amores à primeira vista, os personagens coadjuvantes tomando conta da parte cômica e a constante e indispensável moral no final, mas tudo é usado de maneira criativa e interessante. Sem contar a grande quantidade de ótimas reviravoltas que surpreendem um público pouco acostumado com essa característica em filmes da Disney.

Os personagens são ótimos, mesmo que ás vezes pareçam ser rasos demais. Destaque para os divertidos Olaf e Kristoff e sua relação com a rena de mesmo nome. Ainda pensando em personagens senti falta de um grande vilão. Algo comum em contos de fada, mas que só personalizado no último ato através de uma das comentadas reviravoltas.

O roteiro também é feliz em atingir todos os públicos, não importando se são clássicos, modernos, crianças, adultos, meninas ou meninos. As cenas de ação são boas, as partes cômicas são divertidíssimas e a história se mostra mais matura que o normal.

A direção também tem seus méritos, principalmente na qualidade da animação. Ainda que o 3D não seja único, tudo funciona visualmente muito bem. As roupas, as paisagens, a neve e outras coisas mais são bem criativas e interessantes.

Outro grande destaque do filme é a contagiante trilha sonora de Frozen. Desde O Rei Leão, as músicas de um filme não conseguiam ficar martelando tanto na minha cabeça como aconteceu após esse filme. Principalmente Let it Go, que venceu o Oscar de Canção Original, que é o hino do filme, sendo tocada em diversos momentos da narrativa.

Uma coisa ainda mais interessante é que as músicas ajudam a contar a história, diferentemente de outras animação recentes. As canções acompanham passagens de tempo, como acontecia com Hakuna Matata, e ajudam no desenvolvimento dos personagens principais, cobrindo um problema do roteiro.

Infelizmente, a dublagem da música e dos personagens não atingem um nível e atrapalham um pouco a experiência de assistir Frozen. A versão de Let it Go chega a incomodar quem já viu a versão original enquanto entoa a ridícula adaptação “Livre Estou”. Na versão em inglês tudo funciona muito bem, contando com ótimos trabalhos vocais de Idina Menzel, Kristen Bell, Jonathan Groff e Josh Gad.

Um filme que consegue divertir e surpreender todos os públicos, trazendo de volta a verdadeira essência dos filmes da Disney. Frozen pode não se tornar um clássico ou ser um filme extremamente artístico, mas pode ser assistido por qualquer com tranquilidade.

OBS 1: Assistam aqui o ótimo vídeo onde a música é cantada por um imitador de personagens da Disney/Pixar.