AODISSEIA
Filmes

Crítica: Fora do Rumo

8 de novembro de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Literalmente fora do seu rumo


skiptrace_poster_goldposter_com_17-jpg0o_0l_800w_80qO cinema passa por um momento de transição e o público americano perdeu espaço para o espectadores orientais, sendo que o mercado chinês foi o grande responsável pelas vitórias comerciais de Jurassic World, Velozes e Furiosos 7, Homem de Ferro 3 e tantos outros blockbusters dos últimos anos. Logo, combinar esse cenário com o talento de Jackie Chan para conquistar fãs em todos os cantos do mundo é um pensamento bastante lógico que gerou esse fraco Fora do Rumo.

A história reúne um policial de Hong Kong que vive em função de vingar a morte do seu ex-parceiro e um malandro americano que aplica golpes em vários países. Entre uma chuva de ligações pouco plausíveis e uma viagem pela Ásia, Bennie Chan precisa levar Connor (Johnny Knoxville) para o cassino onde sua afilhada trabalha para salvar a vida da mesma, mas descobre que esse desconhecido pode ser a chave para prender seu arqui-inimigo. E se isso te lembrou A Hora do Rush de alguma forma, pode acreditar que não é pura coincidência.

Seguindo essa lógica, o roteiro de BenDavid GrabinskiJay Longino (A Última Festa de Solteiro 2) é cercado por milhares de clichês, mas esse nem é o maior problema de Fora do Rumo. A questão é que o longa pode ser considerado uma mistura entre roadtrip e bromance desorganizado e que não se preocupa em esconder sua previsibilidade. O público está sempre a frente do roteiro e já consegue entender algumas reviravoltas na primeira cena, enquanto a direção abusa de vários recursos estilísticos inexplicáveis para apresentar personagens ou criar sequencias cada vez mais surtadas.

Além disso, eu não sei dizer se ele é um filme americano feito para o mercado chinês ou um filme chinês voltado para o mercado americano. Fora do Rumo mistura os dois objetivos, erra o alvo de algumas piadas e isso ainda gera alguns momentos desconfortáveis, como Jackie Chan cantando Adele no meio de uma aldeia isolada da Mongólia. O pior é que esse momento específico substitui uma apresentação musical típica da cultura mongol, aproveitando a desculpa de que “Rolling in the Deep é um clássico”.

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O longa só consegue se segurar por quase duas horas, porque tem muitas cenas de ação. Apesar dos efeitos especiais não ajudarem nem um pouco, o veterano Renny Harlin (Duro de Matar 2) sabe como filmar esse tipo de sequencia e Jackie Chan (O Terno de Dois Bilhões de Dólares) está em casa com suas lutas divertidas, bem coreografadas e que ainda usam vários objetos do dia a dia no seu contexto. É uma fisicalidade única que também combina muito bem com a ótima Fan Bingbing (X-Men: Dias de um Futuro Esquecido) e com o humor na pegada Jackass que Johnny Knoxville (As Tartarugas Ninja) parece fazer desde criança.

Eles são engraçados, a interação dos dois funciona e ambos conseguem tirar alguma graça das piadas inseridas na ação. Claro que Fora do Rumo perde muitas oportunidades por ser desorganizado, previsível e muito parecido com outros longas que misturam comédia e ação, mas pode valer a pena para os fãs do astro oriental. Podia ser uns quinze minutos mais curto para não ficar arrastado, mas prende atenção com boas cenas de luta, cenários belíssimos e uma dose de nostalgia com o humor físico de Jackie Chan. O triste é que ele poderia ser bem mais do que isso.


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