AODISSEIA
Filmes

Crítica: Esquadrão Suicida

4 de agosto de 2016 - 19:57 - Flávio Pizzol

O melhor (ou menos pior) filme da nova fase da DC


ClP6FmtUkAI6TMtUm vídeo vazado da Comic Con e pronto: todo mundo queria e acreditava que Esquadrão Suicida fosse ser o melhor filme do ano, principalmente depois do pseudo fracasso (de crítica e público) de Batman vs Superman. A boa notícia é que o desastre não é tão grande, mas continua sendo triste ver ideias legais acabarem desperdiçadas por um filme picotado por momentos de estupidez (quase todos da Warner). Dito isso, vamos aos fatos sem nenhuma enrolação.

O principal problema dessa reunião de alguns dos melhores vilões da DC por motivos absolutamente fracos (pronto, já expliquei a sinopse) está na clara divisão entre os tons do filme. Apoiado em uma edição sem ritmo e cheia de cortes bruscos, o filme não consegue decidir se prefere ser piadista e escrachado como Guardiões da Galáxia ou se quer chegar ao lime do drama como Homem de Aço. Eu escolheria a primeira opção pela própria escolha de personagens, mas não me incomodaria de ver uma pegada mais séria. A questão aqui é que existe uma total falta de controle e balanço entre todas as opções.

Todos os erros cometidos no processo de pós-produção vão ficando cada vez mais claros no decorrer do longa, principalmente quando começam a surgir muitos erros de continuidade, piadas sem timing nenhum e cenas aleatórias completamente fora de lugar. O resultado é uma colagem picotada entre cenas entregues no trailer e coisas que claramente foram alteradas em cima da hora, deixando óbvio que existiram várias versões desse filme. Apesar de um início divertido com as cartelas de apresentação e tudo mais, a união entre o humor e a seriedade dessas versões resulta em algo extremamente confuso que não chega nem perto de funcionar. Até a ótima seleção de músicas parece estar deslocada em vários momentos.

E não parando por aí, esses problemas de montagem também acabam dificultando a análise da atuação de David Ayer como diretor e roteirista. No primeiro aspecto, podemos dizer que ele possui as habilidades certas para filmar cenas de ação em grupo, entretanto acaba caindo em alguns clichês e exageros típicos de Michael Bay. Um filme como esse não precisava – e não deveria – se apoiar mais uma vez em feixes de luz, cenas inteiras em câmera lenta e um vilão completamente genérico. Isso sem contar o visual pouco criativo das criaturas e desse tal líder que tem a cara do Jamie Foxx.

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Por outro lado, ele consegue imprimir seu estilo em vários momentos, incluindo a dinâmica das ruas e as piadas ágeis que são recorrentes nos seus trabalhos anteriores. Essa pegada mais gângster funciona muito bem dentro do grupo e merecia ser mais explorada pelo roteiro, principalmente por ser um dos elementos que ajudam o grupo a ficar mais unido quando o próprio texto esquece de criar as conexões necessárias. Claro que o resultado sendo aquele repetitivo sentimento de falsidade, enquanto eles se autodenominam família e decidem dar a vida uns pelos outros. É sério que só aquele conversa rasa no bar é o bastante para todos ficarem amiguinhos do peito?

Apesar disso, a dinâmica do grupo é exatamente o que salva o longa. Graças ao carisma individual e a ótima química entre todos eles, Esquadrão Suicida consegue divertir e prender a atenção do público sem ser verdadeiramente cansativo. Entre os maiores destaques temos um Will Smith controlado e coerente como Pistoleiro (claramente o protagonista do filme), Margot Robbie arrasando corações com a loucura e sensualidade da sua Arlequina e Viola Davis roubando todos os holofotes como Amanda Waller. Ela mostra sua crueldade, atira com uma metralhadora, apresenta várias camadas e garante sua participação no futuro das franquias.

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O restante do elenco tem participações bem menores (e até irrelevantes, no caso de alguns), mas quase todos acabam correspondendo quando são chamados. Jai Courtney entrega algumas boas piadas como Capitão Bumerangue, Joel Kinnaman passa toda a responsabilidade e poder que Rick Flag precisa, Adewale Akinnuoye-Agbaje funciona como o tanque do grupo e o El Diablo de Jay Hernandez é aquele que tem o arco mais interessante deles, enquanto o único ponto realmente fraco fica para as caras e bocas desnecessárias de Cara Delevingne. Isso sem esquecer de Jared Leto, que entrega um Coringa novo, relativamente interessante e completamente desnecessário para a trama.

Então posso dizer que o resultado dessa bagunça toda é um filme divertido e inteligentemente isolado, que me incomodou muito menos (pessoalmente, é claro) do que os outras tentativas da DC. Mesmo assim, a repetição de alguns erros de Batman vs Superman, como as mudanças apressadas e os cortes desajustados na versão de cinema, queima boa parte do potencial de Esquadrão Suicida e provam que o problema vai muito além da visão de Zack Snyder. Agora é torcer para a atuação de Geoff Johns como presidente mudar alguma coisa nesse panorama, tirando o desespero com as críticas do jogo para evitar que a Warner se torne o maior vilão dos seus próprios filmes.


OBS 1: O filme tem uma cena pós-crédito muito importante para o futuro.


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