AODISSEIA
Filmes

Crítica: Dominação

5 de Janeiro de 2017 - 11:00 - Tiago Soares

A ciência do exorcismo


2016 foi uma grande ano para o terror, começamos com A Bruxa, tivemos a continuação Invocação do Mal 2 e uma grata surpresa com O Homem nas Trevas. Neste ano temos uma grande chance de continuar essa bela safra, é uma pena que começamos tão mal. Dominação tem aquelas premissas maravilhosas que tinha tudo pra render um filme inteligente e igualmente tenso, o que se vê é uma má execução e a tão famosa subestimação da inteligência do espectador.

O filme conta a história do Dr. Seth Ember, um tipo de exorcista diferente. Nada de crucifixos, água benta ou proclamações em latim, Ember usa a ciência para de alguma forma entrar na mente dos possuídos e guiá-los para fora de lá. É como ele mesmo diz “exorciza os demônios de dentro pra fora”. O conceito é interessante e o primeiro ato do filme nos prende a atenção pela maneira diferente de tratar a possessão. Ember usa aquilo que o possuído tem de mais pessoal e íntimo para tirá-lo daquela ilusão.

Quando um garoto vivido por David Mazouz (que parece que tem todos os seus projetos saindo do forno depois de Gotham), é possuído por uma entidade do passado de Ember, cabe a ele enfrentar esse demônio. O protagonista vivido por Aaron Eckhart (Invasão a Londres) tem uma atuação competente e diferente de seus personagens, inclusive no visual, uma pena que o restante do elenco esteja no automático, como a mãe do garoto vivida por Carice Van Houten (a Melisandre de Game of Thrones), que se limita a falar “Oh my god” durante toda a produção.

Em sua segunda parte Dominação se entrega aos clichês já característicos de filmes de terror, e tem no roteiro de Ronnie Christensen um didatismo desnecessário, a ponto de cada atitude precisar ser narrada com uma enxurrada de conceitos. A direção é de Brad Peyton (Terremoto – A Falha de San Andreas) que não sai do lugar comum e apresenta mais umas doses de ação e suspense genéricos.

Num terceiro ato que tinha tudo pra ser corajoso (que inclusive me ergueu um pouco na poltrona) e se tornar no mínimo um filme mediano, Incarnate (no original), usa de efeitos visuais de dar vergonha e prefere caminhar para uma continuação que acredito eu, seja muito difícil de acontecer.

Infelizmente um potencial desperdiçado para um filme que tinha tudo pra dar certo, uma ideia excelente, com uma execução amadora. Que 2017 nos reserve filmes de terror que realmente assustem e nos façam pensar.