AODISSEIA
Filmes

Crítica: Cegonhas – A História que Não te Contaram

26 de setembro de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Fofura para todas as idades


storks-poster-nacional-05janeiro2016Toda jornada de paternidade passa por um momento decisivo quando as crianças fazem a pergunta de um milhão de reais: “De onde vem os bebês?”. E, por mais estranho que isso soe para uma geração que descobre tudo na internet, as respostas sempre passavam pelas cegonhas e suas misteriosas entregas. Em um mercado superlotado de boas ideias e animações interessantes, Cegonhas – A História que Não te Contaram encontra uma premissa original e chega aos cinemas carregando muita fofura e potencial para divertir divertir adultos e crianças.

Para isso, o ponto de partida é justamente brincar com essa desculpa esfarrapada e um tanto quanto bizarra que muitos de nós já recebemos. A diferença aqui é que as cegonhas saíram do ramo das entregas de bebê para apostar no visionário mercados dos e-commerce, abrindo uma loja no estilo da Amazon e garantindo toda a logística de entregas sem erros. O problema é que Tulipa (Tess Amorim), a criança que provocou essa mudança, religa a máquina de “fazer bebês” para atender o desejo do solitário Nando e obriga Júnior (Klebber Toledo) a fazer uma última entrega em segredo.

O roteiro escrito por Nicholas Stoller (Vizinhos) constrói essa história mirabolante com inteligência, dividindo a trama em três núcleos paralelos que funcionam separadamente, exploram os dramas de cada um com cuidado e se completam muito bem no final das contas. Esse, talvez, seja o seu segredo para criar um envolvimento tão grande entre o espectador e seus personagens, abordando diversos objetivos e assuntos do cotidiano. Uma forma de construção que parece complexa, mas possibilita o desenvolvimento simples e empático do texto, facilitando o entendimento dos pequenos e gerando uma preocupação genuína em relação a todos os protagonistas.

No entanto, o principal acerto do longa está na compreensão de que as melhores comédias da atualidade são feitas para agradar a família toda, encontrando um equilíbrio muito bom entre todos os tipos de humor. Os mais novos certamente vão sair da sala encantados com as cenas de ação coloridas e inventivas, as piadas bobinhas com animais, os protagonistas que exalam fofura e a própria ingenuidade da história, enquanto os pais vão ser conquistados por um toque adulto presente no contexto. É muito interessante ver o roteiro tratar alguns assuntos complexos, como as dificuldades envolvidas na criação de um bebê ou a ausência dos pais no dia-a-dia das crianças, com um bom humor acima da média.

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Enquanto isso, a direção do filme, comandada pelo próprio Stoller em parceria com Doug Sweetland (animador de longa data da Pixar), utiliza todas as técnicas possíveis para desenvolver o visual dos personagens e criar ambientes críveis e imensamente bonitos. O destaque merece ir para o cabelo encaracolado e cheio de movimento de Tulipa, a composição surtada da máquina de bebês e um toque de nonsense que adiciona muitas camadas de diversão nas cenas de ação. É provável que muita gente chore de tanto rir nas inúmeras transformações da alcateia de lobos em veículos e na incrível luta silenciosa contra os pinguins.

Eu acho que o final poderia ter proporções um pouco menores, usar os coadjuvantes com mais precisão e concluir alguns assuntos que são deixados de lado, mas a dublagem brasileira funciona muito bem, as mensagens morais marcam presença e todas as sacadas mantém o público preso a história durante toda a projeção. Não é nenhuma obra prima, mas Cegonhas (me recuso a repetir esse subtítulo horroroso) possui uma premissa divertida, momentos hilários e fofura suficiente para valer o ingresso de pai, mãe, filho, cachorro e papagaio.


OBS 1: O elenco original é formado por grandes nomes das dublagens e comédias americanas, como Andy Samberg (Brooklyn 99), Katie Crown (Hora de Aventura), Jennifer Aniston (Friends), Ty Burrell (Modern Family), Keegan-Michael Key (Keanu) e Jordan Peele (Key and Peele). Já a produção executiva ficou nas mãos hilárias dos roteiristas e diretores Phil Lord (Uma Aventura Lego), Chris Miller (Anjos da Lei 2), John Requa (Amor à Toda Prova), Glenn Ficarra (Papai Noel às Avessas) e Jared Stern (Detona Ralph).

OBS 2: A Warner está aproveitando o lançamento da animação para divulgar Ninjago, seu novo longa da franquia Lego após o filme solo do Batman, com um divertido curta-metragem estrelado por Jackie Chan e uma galinha. Promete!


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