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Crítica: Assassin’s Creed

16 de Janeiro de 2017 - 09:03 - felipehoffmann

 

Quando teremos uma boa adaptação dos games?


Assassin’s Creed carregava bastante expectativa em sua adaptação ao cinema. Finalmente poderíamos ver um filme bom oriundo dos games, o que não é tarefa das mais difíceis, tendo em vista o catálogo disponível desse gênero.  Contudo, é triste escrever esse texto, como fã do universo criado pela Ubisoft e por toda carga histórica que Assassin’s Creed conduz. Infelizmente o filme tropeça em suas próprias escolhas, erra no desenvolvimento dos personagens, entrega um roteiro confuso e dificulta o entendimento até mesmo de quem nunca teve contato com a série.

Presente e passado são constantes em Assassin’s Creed. No filme, a inquisição espanhola é plano de fundo para o duelo entro templários e assassinos. Michael Fassbender (X-Men)vive o papel de Callum Lynch, um criminoso condenado à morte, que tem sua vida “apagada socialmente” para que possa ajudar nas pesquisas da Abstergo. Essa empresa, chefiada por Sophia Rikkin (Marion Cotillard), funciona como uma instituição de fachada que ajuda a Ordem dos Templários a alcançar a Maçã do Éden, uma relíquia que pode controlar o livre arbítrio da humanidade.

O processo de regressão acontece na Animus, uma máquina de realidade aumentada que reproduz fidedignamente os acontecimentos da viagem em questão, alinhando o código genético dos antepassados dos personagens. Justin Kurzel (Macbeth: Ambição e Guerra), diretor do longa, acerta em cheio nesse ponto, substituindo uma sala branca insossa dos jogos por uma máquina de regressão bem dinâmica. Vale destacar também o fato de todas as cenas passadas na Espanha serem em espanhol. Assassins’s Creed teve essa preocupação, ajudando a criar uma imersão maior dentro daquele universo.

 

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Esteticamente o filme é bem resolvido, com excelentes cenas de ação, perseguições de tirar o fôlego e planos abertos lindos, mostrando toda a beleza rebuscada de uma Madrid em chamas. A escolha por efeitos práticos ajuda muito a situar os cenários, sempre muito sujos e empoeirados. Porém, seria mais acertado se as cenas espanholas tivesse mais tempo de tela. O roteiro se preocupa em deixar o presente muito mais próximo e exclui o desenvolvimento de Aguilar, o antepassado de Lynch. As passagens em Abstergo são confusas, com personagens desinteressantes, recheada de ações inexplicáveis e pouco sustentadas.

A escolha por criar uma história completamente nova dentro de um universo bem situado até foi interessante, contudo, o roteiro fraco impede algo mais denso dos personagens. Fassbender é um ator fantástico que não sabe brincar, o problema é que seu personagem não exigiu a complexidade da sua atuação. Marion Cotillard (Macbeth) tem uma ligeira mudança com Sophia mas para por aí. E Brandon Gleeson (Harry Potter), com Joseph Lynch, pai de Cal, é completamente dispensável da história. Sua aparição dentro de Abstergo e o diálogo com o filho não conectam e se perde dentro do contexto da história.

O terceiro ato do filme tem um bom ritmo mas, com todos os erros anteriores, o final de Assassin’s Creed é confuso e se resolve rápido, deixando pontas soltas desnecessárias para uma futura continuação, até sem Michael Fassbender.

A Ubisoft tinha uma adaptação bem interessante e um desafio enorme com Assassin’s Creed, mas tirando alguns bons fans-service como o Salto de Fé e Cristovão Colombo, o filme se arrasta e não sustenta quase duas horas de película. Infelizmente a desenvolvedora ficou no quase, assim como todos os outros filmes adaptados dos games.