AODISSEIA
Especial

Odisseia na CCXP: A feira que nem todo mundo conhece

23 de dezembro de 2016 - 08:00 - Flávio Pizzol

O lado mais singelo e bonitinho da CCXP


Quando o assunto é o maior evento geek da América Latina, muitas coisas surgem instantaneamente na cabeça dos presentes. As falhas de organização, os conteúdos exclusivos trazidos pelos estúdios, os convidados internacionais, as lojas que nem sempre oferecem os tão sonhados descontos e as filas que já começavam de madrugada são presenças marcantes e indiscutíveis durante a feira, mas o que nem todos os visitantes conseguem fazer é aproveitar tudo o que cada um desses momentos pode oferecer.

As próprias filas escondem uma série de amizades de todos os cantos do Brasil, enquanto não rola aquele cochilo. É uma chance única de conhecer, conversar e até jogar baralho com nerds de todas as idades e gostos que vem de Pernambuco, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e até o tão esquecido Acre. Para quem trabalha com cultura pop e encara a dura missão de cobrir a feira sem credencial, esses momentos ainda escondem uma troca de informações valiosa com outros veículos de comunicação.

As mesas da praça de alimentação, os corredores e os auditórios também estão cheias de oportunidades parecidas, mas nada consegue superar o fato de que as exibições exclusivas também podem ficar em segundo plano. É realmente emocionante observar as reações naturais de cada convidado que se impressiona com o amor e a receptividade dos brasileiros. São aqueles olhares sinceros que revelam que James Gunn realmente saiu daqui apaixonado pela CCXP, que o elenco de Power Rangers estava se divertindo pra caramba e que o próprio Neil Patrick Harris não sabia do tamanho do seu sucesso por nossas bandas.

Isso sem contar a emoção que esse pequeno amante do futebol teve que segurar quando o grande e eterno Carlos Villágran pediu um minuto de salva de palmas pelo time da Chapecoense em nome do México, enquanto o ator chinês Ludi Lin (o Ranger preto) andava pelos bastidores com um cachecol verde que mostrava a proporção mundial da comoção que mexeu com todos os brasileiros. O respeito que acompanhou esses momentos também deixou claro que o que aconteceu foi muito maior do que o futebol.

As milhares de pessoas que não conseguiram entrar no auditório não viveram esses momentos com tanta intensidade, mas eu digo e repito que a CCXP é muito mais do que isso. Ninguém deveria jogar fora a chance de visitar o Artists Alley, conhecer quadrinistas simpáticos e talentosos de todas as partes do mundo, dar uma força para as produções independentes do país e ainda trocar uma ideia com cada um deles como se fosse um amigo de longa data. Nesses três anos de feira, eu já passei um tempo considerável ao lado de grandes nomes, como Rafael Albuquerque, Felipe Massafera, Danilo Beyruth e até os argentinos José Luis García-López e Jok.

Caso os quadrinhos não sejam a sua praia, então você pode aproveitar a interação dos estandes, participar de vários joguinhos exclusivos e ganhar muitos brindes. As filas continuam sendo companhias constantes, mas vale a pena enfrentar uma ou outra para fazer um salto de fé, participar de um jogo de mímicas da Netflix, contar o seu spoiler sem nenhuma preocupação, tirar foto com o carro de Kingsman, mandar mensagens para o Hugh Jackman, fingir que está pendurado como o Homem-Aranha, ver a abertura de Game of Thrones na sua frente e fingir que está dentro de Westworld. Ou então você pode até ser um dos sortudos que ganhou um autógrafo do Neil Patrick Harris ou foi abraçado pela Natalie Dormer na fila.

Você também pode ser um cosplayer que abre mão de aproveitar o máximo da feira para fazer a alegria dos outros visitantes, porque tudo que vale é aquele sorriso de quem nunca tinha visto nada tão parecido. Aquele sorriso – o mais sincero e poderoso de todos – que aparece quando um cadeirante tira uma simples foto com uma estátua em tamanho real do Boba Fett ou quando você vê que, há três anos, o mesmo senhor de maca (me desculpem, mas não sei o nome dele) enfrenta a paralisia infantil para encontrar seus ídolos e viver um sonho nerd. São momentos tão simples que valem pelos quatro dias inteiros de CCXP.

São tantas possibilidades que você pode viver sem precisar ficar implorando para quem chegou antes de você simplesmente sair do auditório (sim, isso foi uma indireta), afinal todos nós fizemos escolhas e não conseguimos ver tudo que estava acontecendo na feira. Alguns escolhem madrugar para ver um painel, outros arriscam chegar mais tarde e outros só querem comprar quadrinhos, mas o importante é que a CCXP tem lugar para todos os tipos de pessoas. Vá preparado para madrugar, ganhar brindes, pegar milhares de autógrafos ou simplesmente ficar na fila esperando uma chance de entrar no auditório, mas vá com o coração aberto e o olhar atento para viver a verdadeira experiência do maior evento geek da América Latina!